FSA
21/08/2018, 23:08

Christian de Castro defende critérios do FSA e destaca que Comitê Gestor representa o mercado

POR MARIANA TOLEDO, DE GRAMADO

Assim como relatado em nota divulgada no início desta semana, a Ancine seguiu batendo na tecla da "desburocratização, agilidade, transparência e controle de processos" para justificar as recém-anunciadas mudanças no sistema do FSA. Nesta terça-feira, 21 de agosto, Christian de Castro, diretor-presidente da agência, participou de coletiva de imprensa durante as programações do 46ª edição do Festival de Cinema de Gramado para comentar os novos critérios de seleção.

Diante das polêmicas causadas pela atualização do Edital de Fluxo Contínuo de Produção para Cinema, que trabalha com sistema de pontuação automática com lista de notas de diretores, produtoras e distribuidoras, Castro justificou: "As mudanças foram conduzidas em reuniões frequentes do Comitê Gestor – reuniões estas que, antes, não aconteciam. Ao longo de dez anos, o debate do comitê gestor nunca foi público. Atualmente, são feitas reuniões preparatórias e outras deliberativas, e novas medidas só são aprovadas se houver consenso ou unanimidade. Dentro do comitê, há representantes do mercado, inclusive de fora do eixo. Então não dá para dizer que o debate não acontece.", afirmou, respondendo assim, de certa forma, aos produtores que alegaram nos últimos dias que a Ancine estava tomando decisões exclusivamente baseada em opiniões internas. E completou dizendo que a diretoria técnica atual é formada só por membros do setor, o que garante, ao menos em teoria, que as novas regras acatadas não prejudicariam o mercado de maneira alguma.

"Quando existem 158 longas entregues em um ano e estes respondem por apenas 7% do mercado de cinema no país, significa que há um problema.", disse, explicando que as novas soluções foram então pensadas para executar os recursos do FSA de forma mais ampla e rápida. Desde o início de sua gestão, Castro fala em desburocratizar os processos. As mudanças no FSA teriam sido então adotadas nesse sentido – "O sistema de notas possibilita mais agilidade e transparência no processo, além de trazer mais controle para a própria Ancine.", defende. Ou seja: a ideia é que, a partir deste primeiro edital, que abre no próximo dia 03, a Agência consiga enxergar onde estão as distorções que devem ser atacadas. "Precisamos fazer o ranqueamento girar e demonstrar que temos capacidade de usar os recursos com responsabilidade.", argumentou Christian a este noticiário após a coletiva. "É uma maneira de mostrar a eficiência do setor para, mais pra frente, se necessário, pleitear mais recursos. O objetivo é tornar o setor mais potente e incentivar a competitividade.", completou.

Diante das críticas vindas especialmente dos produtores de menor porte em relação a uma possível concentração de recursos entre os grandes do mercado, Castro alega que isso será descoberto na prática. "Pode ser que o dinheiro não chegue na ponta nesse primeiro momento, mas, a longo prazo, isso pode mudar. Afinal, estamos falando de um fluxo contínuo, e a ideia é que ele funcione exatamente assim", reiterou. Na prática, a nova regra vai agir da seguinte maneira: quando os projetos atingirem o dobro do valor oferecido, as inscrições serão fechadas e aí o sistema de ranqueamento atua, com distribuição de recurso de acordo com as pontuações. "É necessário ver esse sistema gerar antes de tirar conclusões", declarou.

Christian lembrou ainda que os editais seletivos seguirão acontecendo, garantindo uma porta de entrada para aqueles que não se sentirem totalmente contemplados pelo fluxo contínuo: "No edital seletivo, o projeto é analisado e influencia de maneira decisiva a decisão pela entrega ou não do recurso. Há ainda a questão das cotas de gênero e raça, implantadas recentemente, que contribuiriam para não deixar acontecer essa tal concentração de recursos.". Dentro dos sistemas, continua valendo também o suporte automático, que valoriza a entrega e avalia o lado comercial e artístico do projeto. Filmes apresentados durante a programação do Festival de Gramado, como "Benzinho" e "Ferrugem", seriam exemplos de obras que se destacam pelo resultado artístico, uma vez que performam bem em festivais – são considerados tanto os locais quanto os internacionais.

Diretores

No evento, o diretor-presidente ouviu ainda reclamações relacionadas a possíveis divergências de informações que a Agência possui a respeito do trabalho dos diretores e produtores, o que teria culminado em erros nas tais pontuações. "Esse processo de notas não está acontecendo de uma hora para outra. Ele não é novo – foi estabelecido em ata no mês de março – e é público. Se há erros, é necessário atentar ao rigor das informações prestadas para Agência. Trabalhamos em uma relação de responsabilidade e confiança com os agentes do mercado", comentou.

Castro deixou clara a posição de dar mais espaço aos empreendedores do setor – "Editais de capacitação de empreendedores" é, inclusive, tema da próxima reunião do comitê gestor deste mês. "As novidades do FSA olham para a cadeia do audiovisual como um todo, e de maneira mais equilibrada, valorizando a capacitação, tanto técnica quanto artística, e também dos empreendedores. Queremos destacar empresas com projetos de crescimento.", ressaltou. "O modelo era bagunçado e não permitia atrair investidor privado. Identificamos fraquezas como falta de previsibilidade, barreiras de entrada e falta de empresas fortes estruturadas. Diante disso, decidimos valorizar a capacidade de entrega e as boas empresas.". E o diretor finalizou: "Dos recursos do FSA dos últimos anos, 89% foi investido em produção, 7% em desenvolvimento e só 4% em comercialização. A ideia é equilibrar isso, colocar o produto no mercado de maneira competitiva. Diversificar investimento e promover crescimento equilibrado.".

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