YOU PIX 2018
25/09/2018, 20:33

Para produtores e canais, séries brasileiras ainda dependem muito de um elenco conhecido

"As séries brasileiras possuem, entre os principais atrativos, um elenco de peso. Elas ainda dependem de um elenco conhecido para fazer sucesso.", declarou Silvia Fu Elias, Diretora de Conteúdo Nacional da Turner, durante painel sobre séries de ficção no YouPix, evento que aconteceu em São Paulo na última segunda, 29. Ao lado dela, Carolina Alckmin, da O2, Gabriel Williams, da Universal, e Ian SBF, do Porta dos Fundos, discutiram o atual momento e o futuro das produções seriadas especialmente no Brasil.

Apesar de concordar que o elenco ainda é um fator de peso, Ian SBF, CEO do Porta dos Fundos, trouxe uma constatação: "Nós já trabalhamos com internet, TV e cinema e descobrimos que não existe aquilo de 'levar o público de um lugar pro outro', ou seja, não dá pra achar que o elenco do Porta vai levar o nosso público para a FOX, canal que exibe nossa série, por exemplo. Aprendemos que a FOX tem o público da FOX, e nosso desafio é conquistá-lo.". Nesse sentido, o executivo chamou atenção para uma vantagem da atualidade. "Hoje, temos acesso a informações sobre o público, coisa que antes não tínhamos. Dá pra produzir pensando em um nicho muito específico. Não é mais um tiro no escuro. E isso vale pra tudo: conteúdos, formatos, horários de exibição entre outros fatores.", pontuou. Silvia enfatizou que essas são informações relevantes e que devem ser consideradas. "Produzir para um target específico é muito importante. Não dá pra querer alcançar todo mundo. Além disso, o timing também é critério. Tem série que funciona em determinada época e que, em outra, não vai tão bem.", lembrou.

Refletindo sobre critérios que, hoje, podem fazer uma série nacional chamar atenção do público do próprio Brasil, que ainda não foi "fisgado" por essas produções, eles levantaram algumas questões. Para Silvia, ainda que o consumidor de série brasileiro não seja tão fiel ao conteúdo produzido aqui, o fator local deve ser levado em conta. "Quem está desenvolvendo uma série nova deve avaliar se faz sentido produzir aquele conteúdo no Brasil, se ele não é uma mera reprodução de uma fórmula que faz sucesso lá fora. Ou seja: não dá pra querer fazer o 'Game of Thrones' brasileiro.", brincou. Para Carolina, a força do personagem ainda é maior do que do próprio enredo. "Ele deve ter um propósito forte e causar empatia no público.", explicou. Em relação aos gêneros das séries nacionais, é unanimidade que há demanda por dois em especial: terror e dramas pesados. "Tipo um 'This Is Us', da Fox Premium internacional.", citou Carolina.

Para Ian, as "regras do jogo" em relação aos formatos mudaram bastante pré e pós Netflix. Carolina traduz: "Os hábitos de maratonar, que se tornaram presentes na vida do público especialmente por conta do VOD, permitiram mudanças nos formatos clássicos, isto é, não existe mais aquela regra de comédias de 30 minutos de duração ou dramas de cerca de 50.". Apesar da ascensão do hábito de "maratonar séries", isso não é motivo para o consumidor trocar o linear pelo VOD. "Dá para maratonar também no ambiente linear.", garantiu Williams, da Universal. "Costumamos fazer maratonas que desembocam em episódios inéditos no nosso horário nobre.", contou. Na Turner, a prática também é comum e, segundo Silvia, maratonas vão bem de audiência, identificando pessoas que ficam três, quatro horas seguidas acompanhando a programação. "O receio que o VOD canabalize a audiência do linear que a TV Aberta tem hoje nós já tivemos antes, mas entendemos que não é assim que funciona. São públicos complementares. E ninguém vê conteúdo em uma janela só.", finalizou Carolina.

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