YOU PIX 2018
25/09/2018, 19:48

"Quebrando o Tabu" e GNT discutem audiência e assumem: "Entretenimento deve vir em primeiro lugar"

O "Quebrando o Tabu" nasceu como uma página do Facebook voltada à discussão de temas sociais relacionados às questões de direitos humanos. Com crescimento de seguidores exponencial, a marca evoluiu e, neste ano, virou programa de TV com exibição semanal pelo canal GNT. "No geral, ouvimos poucas críticas do nosso público em relação a uma possível 'venda' dos nossos conteúdos para uma marca de televisão. As vantagens são muito maiores como, por exemplo, a credibilidade, que agora é muito maior, e a audiência, claro, que nos proporciona novas possibilidades de angariar potenciais parceiros.", afirmou Guilherme Melles, criador do "Quebrando o Tabu", durante painel na YouPix, evento que reuniu criadores de conteúdo, influenciadores e canais nessa segunda-feira, 24/09, em São Paulo.

É claro que, com o aumento do número de fãs, que gera uma ambição de crescer cada vez mais, e principalmente com a chegada à televisão, a preocupação em produzir um conteúdo de fato capaz de entreter o público é uma constante para ele. "Hoje, nossa curadoria é 50/50, isto é, entretenimento junto ao potencial de engajamento – afinal ainda trabalhamos nas redes sociais – e direitos humanos. Mas o entretenimento vem em primeiro lugar. A mudança social, depois.", confessou Melles. Fabiana Gabriel, executiva do GNT presente no debate, complementou: "Mesclar entretenimento com reflexão social é um desafio diário. E principalmente a maneira com a qual iremos gerar essa reflexão. Aprendemos, com o tempo, que o caminho não é ser impositivo, e sim dar opções, permitindo que o público analise suas escolhas.". Nesse sentido, dois cases do GNT se destacam: os programas "Papo de Segunda" e "Saia Justa". Ambos propõe discussões de temas contemporâneos por meio de bate-papos informais com personalidades brasileiras. Ou seja, há o fator entretenimento, uma vez que as atrações contam com nomes conhecidos do público e por quem ele sente empatia, e também o viés social. "Os dois geram valor e reverberam em discussões. Toda semana os assuntos abordados ali ficam entre os mais comentados no Twitter.", citou Fabiana.

O criador do "Quebrando o Tabu" enfatizou ainda a importância de, ao abordar assuntos "sérios", não deixar de mostrar os dois lados da história. "Por exemplo: a gente já deu muito espaço para o Silas Malafaia e sempre nos questionamos se está certo fazer isso. Então decidimos que, se conseguíssemos rebater com clareza e com verdade tudo que ele falasse, estava liberado colocar isso no ar. É óbvio que polêmica gera engajamento e audiência.", defendeu. "E não há problema nenhum nisso. Contanto que faça parte do escopo do trabalho"., concluiu.

Falando em polêmicas, Fabiana complementou o assunto dizendo que, dentro do canal, é feita sempre uma avaliação que questiona: "Estamos apenas surfando uma onda de um assunto que está em alta e vai trazer audiência ou abordar esse assunto tem, de fato, a ver com os nossos valores?". Dentro disso, vale voltar atrás se a resposta for negativa. "Houve um episódio polêmico com o Rodrigo Hilbert, um dos nossos apresentadores, no qual, para fazer uma receita, ele matava um animal e a cena toda era exibida na TV. A gente recebeu uma enxurrada de críticas e, após discussões internas e com o próprio Hilbert, resolvemos tirar o conteúdo do ar. Conseguir audiência é importante, sim, mas é preciso ouvi-la também. Muitas vezes, é ela que nos puxa de volta para os nossos valores e nos faz tomar decisões desse tipo.", pontuou.

Melles afirmou ainda que determinado tema não garante audiência. Como exemplo, ele citou a questão do aborto, que não rendia tantos posts com engajamento online até ele se tornar pauta de discussão legal na Argentina. "A partir daí, foram três meses de assunto em alta.", contou. Por fim, ambos concordaram que o público quer ser surpreendido, claro, mas que ele também percebe quando o canal ou a plataforma está produzindo somente para gerar audiência. "O entretenimento é prioridade, sim, mas o questionamento buzz X interesse real pelo tema deve vir ainda antes.", finalizou Fabiana.

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