PRODUÇÃO
29/08/2018, 22:33

Para Tiago Melo, Brasil começa a se tornar um player internacional de séries

POR MARIANA TOLEDO, DE BELO HORIZONTE

Tiago Melo é produtor da Boutique Filmes, empresa por trás da criação de "3%", primeira série original brasileira da Netflix e a mais assistida de língua não-inglesa no ano de 2016. Nesta terça-feira, 28/08, Melo participou do MAX, o Minas Gerais Audiovisual Expo, onde falou sobre os processos de desenvolvimento de personagens de ficção e revelou ainda os planos da Boutique de investir em longas-metragens.

Segundo Tiago, uma série é criada a partir de quatro pontos, sendo eles personagem, universo, narrativa e contexto. "Em uma ficção, todo personagem importa, por menor que seja.", ressaltou. Ele afirmou ainda que uma premissa importante é que eles gerem identificação no público, especialmente em termos de questões universais como "Qual o sentido da vida?", "Ninguém me valoriza" ou "Qual o meu lugar no mundo?". "Um personagem existe a partir da relação e choque com outros personagens. Desta relação, podemos entender quem ele é, sua visão de mundo e sua transformação.", definiu, dando, como exemplo da declaração, uma cena de "3%" na qual diversos personagens passam por uma prova de montar cubos e, ali, deixam claro suas personalidades – se são inteligentes, éticos, impulsivos – e como se relacionam com os outros.

Fazendo uma análise do atual momento das produções de séries brasileiras, o produtor da Boutique conclui que o Brasil está começando a se tornar um player internacional de verdade, especialmente por conta de suas séries globais – em termos de tema e de alcance também – como a própria "3%" ou "Narcos". "Estamos passando por um processo de mudança de formatos, saindo exclusivamente das novelas e das narrativas baseadas no bem contra o mal e entrando em universos mais complexos.", avaliou. "A prioridade agora é investir na diversidade dentro dessas histórias, pois quanto mais diversidade elas tiverem, mais lugares conseguiremos alcançar. É hora de quebrar paradigmas.", instigou.

Ele diz ainda não acreditar que o Brasil esteja vivendo sua "era de ouro" da produção seriada. "Acredito que ainda faremos a nossa, mas por enquanto o momento é dos Estados Unidos.", opinou. Sobre "3%", o produtor relembra o longo processo de negociação com a Netflix: "Foram quase dois anos de conversa para convencê-los de que a produção original brasileira era viável, especialmente por se tratar de uma obra de ficção científica, gênero que performa bem na plataforma mas que não tem tradição por aqui.".

Tiago citou ainda a necessidade de valorizarmos a produção de gênero por ser uma demanda do próprio público dentro e fora do país e por ir ao encontro da ideia que ele tem de variar as temáticas das obras feitas no Brasil. "Até dentro da comédia, que é um gênero que sabemos fazer bem, precisamos variar e sair do 'pastelão', que é algo que eu já vejo acontecendo.", completou.

Por fim, Melo revelou a criação de uma área voltada aos longas-metragens dentro da Boutique. Atualmente, a produtora trabalha na produção de dois filmes de ficção, sendo um deles baseado no livro "Rota 66", do jornalista Caco Barcellos, sobre o qual ela adquiriu os direitos recentemente.

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