TV por assinatura
01/02/2018, 19:58

TV paga cai 5% em 2017, diz Anatel; Claro TV teve queda de 25%

A Anatel finalmente divulgou dados atualizados sobre o mercado de TV paga no Brasil. Os dados estavam sem atualizações desde maio de 2017. A agência reportou nesta quinta, 1, que o setor de TV paga perdeu, em 2017, cerca de 5% da base, ou 938,7 mil assinantes a menos em relação a dezembro de 2016. O total de assinantes registrados pela Anatel no final de 2017 foi de 17,856 milhões de assinantes, contra 18,795 milhões em dezembro de 2016. É o número mais baixo desde outubro de 2013 e representa uma queda de quase 2 milhões de clientes desde o apogeu do mercado, em novembro de 2014. Ou seja, a TV paga voltou ao mesmo patamar de três anos atrás.

A variação, contudo, pode mudar um pouco dado que é possível notar, nos dados da Anatel, a falta de alguns números de pequenas operadoras em dezembro, inclusive a Cabo Telecom, de Natal, que tinha em novembro de 2017 cerca de 52 mil clientes.

As duas únicas operadoras de TV paga que apresentaram crescimento em 2017 foram Sky e Oi TV. A Sky chegou ao final do ano com 5,358 milhões de assinantes, segundo dados da Anatel, o que representou um aumento anual de 2%, ou 109 mil clientes. A Oi TV teve um crescimento de 205 mil clientes no ano, fechando com 1,509 milhão de assinantes, um aumento de 15,7%, e praticamente empatando com a Vivo TV, que fechou o ano de 2017 com 1,582 milhão de clientes (uma queda anual de 7,8%, ou 131 mil assinantes).

Mas a operadora que de fato acabou contribuindo para a queda do mercado foi, obviamente, a maior: o grupo Claro Brasil, que compreende a Claro TV (DTH) e a Net (Cabo). Ao todo, o grupo perdeu 832,5 mil clientes de TV paga, ou 8,5%, fechando o ano com 9,072 milhões de assinantes. A maior queda foi da Claro TV, que drenou nada menos do que 654,2 mil assinantes, uma queda de 25% no ano. A Claro TV fechou o ano com 1,9 milhão de assinantes. Desde 2010 a operadora não tinha um número tão baixo de clientes. Não por acaso, no final do ano passado o grupo decidiu mudar a estratégia e criar uma unidade de negócio específica para o DTH, com um CEO (Agrício Neto, ex-Sky) se reportando diretamente ao comando do grupo. A constatação é de que o DTH precisa ser pensado e vendido de uma maneira diferente do cabo. Foram várias as razões que fizeram com que a Claro TV perdesse tantos clientes: desmonte da rede de distribuição, forte presença na classe C, dificuldades de ajuste de produtos dentro da estratégia global do grupo para TV paga entre outros.

A operação de cabo da Net, por sua vez, também perdeu base, mas em um patamar mais próximo da realidade econômica do país. A Net perdeu 178,3 mil clientes, ou 2,5%, fechando o ano com 7,17 milhões de assinantes de cabo. Em comunicado, o grupo declarou: "A Claro Brasil, que engloba as marcas NET e Claro HDTV, esclarece que a queda em sua base de clientes de TV por assinatura reflete a situação econômica vivida pelo País nos últimos dois anos. A empresa segue líder do mercado de TV por Assinatura brasileiro, com mais de 9 milhões de clientes".

A Algar fechou o ano com 74 mil assinantes, uma queda de 25%. As pequenas operadoras também tiveram uma queda expressiva, de mais de 50%, finalizando o ano com 265 mil clientes (ou 317 mil, se considerarmos o dado da Cabo Telecom de novembro). De qualquer maneira, dos assinantes de pequenas operadoras, mais da metade (cerca de 180 mil) são da Nossa TV (DTH religioso, com 125 mil) e da Cabo Telecom (52 mil), o que significa que o mercado de pequenas operadoras independentes está na casa dos 150 mil assinantes.

Os dados da Anatel ainda não estão completos. Faltas os números de junho a setembro. Mas é possível perceber, a partir dos dados de outubro, que entre junho e o quarto trimestre houve uma queda expressiva, de mais de 3% da base. No último trimestre de 2017 o ritmo de queda parece ter se estabilizado, com uma leve aceleração em dezembro. Ou seja, ainda não é possível detectar pelos números nenhuma tendência de retomada de crescimento.

A Anatel mudou a metodologia de registro das tecnologias de TV paga, de modo que agora FTTH e cabo estão sendo reportados, aparentemente, apenas sob a categoria SeAC, o que dificulta a análise.

A agência passou por sérios apuros com o sistema de TI dedicado à apuração dos dados de assinantes de TV paga, o que causou um atraso de quase 9 meses na divulgação dos números, e ainda assim há dados incompletos. Isso significa que deve haver ajustes nas próximas divulgações.

Crise e pirataria

Os dois motivos que levaram à queda do mercado, segundo relatos de operadoras e programadoras, se resumem basicamente à crise econômica dos últimos anos, que drenou boa parte da capacidade de compra da classe C, onde a TV paga mais havia crescido. Outro problema é o da pirataria, especialmente no ano passado, com a chegada ao mercado das caixas IP, como HTV e similares, que distribuem ilegalmente conteúdos captados por redes criminosas. A concorrência com serviços OTT, especialmente Netflix, também ajuda na erosão de base de TV paga, mas não existem evidências numéricas de que o mercado OTT tenha substituído os serviços de TV paga na mesma proporção da queda.

Comentários

6 Comentários

  1. Então, será que não percebem que a política de preços está errada? Se os preços fossem mais acessíveis, seriam muito mais assinantes, e ganhos maiores com o volume. Imagine pagar mais de meio salário mínimo para ter uma diversidade maior de bons programas? Inviável. E olhe que minha renda é bem mais que 6 s.m.

  2. Avatar Júlio a disse:

    Em nenhum momento vejo as operadoras citar a falta de qualidade nos atendimentos em seus suportes que tratam os clientes como idiotas. Em nenhum momento vejo eles falando que o motivo dessa sangria de clientes também se deve pela falta de qualidade no sinal que cai e a solução as vezes demora. Então é mais fácil jogar a culpa nos piratas na crise do que olharem pro dentro e ver que parte disso se não a grande maior parte desse crise se deve também pela falta de preparo em lidar com essas situações. Mas vejo essa notícia com felicidade porque agora quem sabe eles baixem o preço é melhorem seus suportes para dar mais qualidade a nós ex clintes.

  3. Avatar Marcos Henrique disse:

    Digo mais, alem da política de preços errada, destaco também a pirataria com o furto de sinal (SkyGato), a péssima qualidade na prestação do serviço, (NET Araraquara), com quedas constantes do sinal da internet…a gente quer ser honesto não caindo no (SKyGato), ainda paga caro, por um serviço um serviço de qualidade duvidosa…

  4. Avatar Ronaldo disse:

    Os preços pagar 400 reais por mês por tv paga pois os pacotes básicos só canal lixo por que a assinatura de internet tem crescimento e a tv acabo cai prefiro paga 149 por mês numa fibra de 30 megas do que 400 reais pra ver meio dúzia de canais que repete filmes a semana toda

  5. Avatar Marcos Mello disse:

    Num pais que arranca o couro em todos os setores, na tv por assinatura não seria diferente.
    Vejo o inconformismo em se cobrar R$200,00 de um plano de TV, mas esquecemos que, com o dinheiro que pagamos num Onix aqui no Brasil compraríamos um Camaro nos EUA.
    Realmente os politica de preço no brasil está errada, a mesma política dos combustíveis, aparelhos eletrônicos, etc, etc etc!

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