Pay-TV Forum 2019
01/08/2019, 01:50

Usuário busca conveniência, além de bom conteúdo

Há, claramente, uma mudança em curso na forma como se distribui e se consome TV. A mudança, no entanto, já não assusta mais os players tradicionais. Os entrantes, disruptivos, já não são vistos como ameaças difíceis de serem superadas. O conteúdo segue sendo "rei", mas a conveniência tem um papel fundamental nesse cenário. Além do "quando, onde e como", o setor percebe que o consumidor demanda simplicidade, sem barreiras que dificultem o acesso.

Durante o Pay-TV Forum 2019, Leonardo Godoy, analista de dados da operadora de satélites SES, afirmou que o fenômeno dos cord cutters nos Estados Unidos não é tão impactante quando se adiciona à base da TV por assinatura tradicional a base dos serviços OTT que adotam o mesmo modelo da TV paga, com pacotes de canais lineares. Com a soma dos dois serviços, o churn do serviço de TV por assinatura nos Estados Unidos nos últimos anos é irrelevante.

Segundo ele, o que as novas plataformas de distribuição trouxeram e que precisa ser abraçado por todo o setor é a conveniência. O conteúdo precisa ser encontrado de forma simples, sem barreiras.

Para o diretor de marketing da Claro Brasil, Marcio Carvalho, está claro que o futuro da TV está no streaming. A operadora vêm trabalhando para proporcionar ao assinante novas funcionalidades e mais conveniência, aumentando a percepção de valor. "A Netflix já não custa tão pouco e o conteúdo de valor está saindo para formar outros serviços. Isso vai reequacionando o mercado", explica.

"O conteúdo da TV por assinatura é, sem dúvida alguma, muito melhor do que o do Netflix. Temos que buscar a melhor experiência", diz o diretor de marketing da Globosat, Manuel Falcão, seguindo na mesma linha dos colegas de debate.

Se os grandes catálogos sob demanda já não assombram, o serviço OTT com mesmo o modelo da TV por assinatura tradicional ameaça. Para a Claro a ameaça está na diferença regulatória. Segundo Márcio Carvalho, a intenção da operadora na denúncia que fez contra a Fox é buscar sanar perguntas sem resposta. "Não temos problema com a Fox ir direto ao consumidor, mas sim se for com canais lineares", disse. As questões são qual é o arcabouço regulatório e se esse arcabouço está aderente com o desenvolvimento do mercado.

A crise econômica, que, no caso do Brasil, é o maior desafio do setor nos últimos anos também já é vista com mais maturidade. Para os diferentes elos da TV por assinatura não resta dúvida de que a demanda pela TV paga está reprimida, mas a percepção de valor não ficou abalada. "Quando (a economia) voltar a crescer, temos valor para enregar. Temos apenas que seguir evoluindo", diz Carvalho.

Nova (velha) ameaça

Superados os medos, o setor volta os olhos com mais atenção para outro inimigo, ainda mais antigo que os serviços disruptivos e a crise econômica: a pirataria. O assunto permeou o evento em diversos momentos.

Segundo Alberto Pecegueiro, da Globosat, esta é, hoje, a sua maior preocupação.

Para a Claro o problema também está entre as prioridades. "A pirataria tem que ser tratada com muita seriedade e tecnologia", diz Márcio Carvalho. "Não podemos esquecer que ela é a melhor proposta de valor que existe", completa.

Para Leonardo Godoy, da SES, o tema leva, novamente, à conveniência. Segundo ele, o compartilhamento de dados permitiria construir mecanismos de sugestão de conteúdo mais eficientes, por exemplo. "A pirataria é o melhor termômetro. Se está desenfreada é porque os modelos existentes não estão satisfazendo o assinante", diz.

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