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Em um movimento por maior valorização, roteiristas de Hollywood entram em greve

No último mês, TELA VIVA divulgou o manifesto pela valorização do roteirista nos editais públicos de audiovisual criado por Newton Cannito e Marcilio Moraes, roteiristas e ex-presidentes da ABRA (Associação Brasileira de Autores Roteiristas). A petição online, que está aberta para assinaturas, pede que os editais da Ancine contemplem a figura do roteirista do audiovisual, pontuando-o – assim como é feito com diretores e produtores – a fim de que seja feita “justiça ao trabalho fundamental destes profissionais” e para que haja “a melhoria da qualidade da nossa produção artística”, segundo o texto. Também em abril, a valorização da autoria nas obras e a demanda por mais direitos e participação nos processos por parte dos roteiristas foi tema de um painel no Rio2C, conferência de criatividade realizada anualmente no Rio de Janeiro. 

O papel do roteirista audiovisual e, mais especificamente o valor desse profissional na cadeia da produção, está em pauta no Brasil e no mundo. Prova disso é que milhares de roteiristas de cinema e televisão entram em greve a partir desta terça-feira, dia 2 de maio. O sindicato Writers Guild of America (WGA) convocou sua primeira paralisação de trabalho em 15 anos depois de não conseguir chegar a um acordo para salários mais altos de estúdios como Walt Disney e Netflix. A última greve durou 100 dias e custou à economia do estado americano da Califórnia mais de US$ 2 bilhões.

“O comportamento das empresas criou uma ‘economia gig’ dentro de uma força de trabalho sindicalizada, e sua postura inflexível nesta negociação traiu um compromisso e desvaloriza ainda mais a profissão de roteirista”, disse o WGA em comunicado em seu site. O WGA representa cerca de 11,5 mil roteiristas em Nova York e Los Angeles, entre outros lugares. 

A Alliance of Motion Picture and Television Producers (AMPTP), que representa os estúdios, disse na noite da última segunda, 1º, que ofereceu “aumentos generosos na compensação” aos roteiristas, mas os dois lados não conseguiram chegar a um acordo.

Os escritores dizem que sofreram financeiramente durante o boom das plataformas de streaming, em parte devido a temporadas mais curtas e menores pagamentos. Metade dos roteiristas de séries de TV agora trabalha com salários mínimos, em comparação com um terço na temporada 2013-14, de acordo com as estatísticas do WGA. E ainda de acordo com a organização, o pagamento médio para roteiristas no nível mais alto de escritor/produtor caiu 4% na última década. A inteligência artificial é outro ponto em discussão: o WGA quer garantias para impedir que os estúdios usem IA para gerar novos roteiros a partir de trabalhos anteriores dos roteiristas. Os escritores também querem garantir que não sejam solicitados a reescrever rascunhos de roteiros criados pela IA.

Até que os conflitos sejam resolvidos, parte da programação da TV nos EUA será interrompida.

(Esta reportagem contou com informações de Lisa Richwine e Dawn Chmielewski, da Reuters, em Los Angeles) 

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