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Para Globo, documentários esportivos precisam transcender a bolha e atingir outros públicos

Tiago Ornaghi, gerente de conteúdo de documentários do Globoplay (Foto: Martins/ Divulgação)

Nesta terça-feira, dia 4 de junho, primeiro dia de programação do Rio2C 2024, Tiago Ornaghi, gerente de conteúdo de documentários do Globoplay, falou sobre a produção de títulos do formato que abordem temas do universo dos esportes dentro do painel “O que vem por aí: tendências de consumo do conteúdo esportivo”. 

O executivo apontou que a escolha dos temas que poderão dar origem a novos documentários é complexa, e leva em consideração não apenas o conteúdo. “Temos diversas searas, como custo e oportunidade, por exemplo. São quatro anos e meio de originais Globoplay. O que aprendemos, não só com os projetos esportivos, mas também os jornalísticos, é que conteúdos muito calcados na cobertura, isto é, aqueles muito quentes, acabam sendo canibalizados pelo nosso próprio ecossistema, que cobre esses acontecimentos na hora em que eles acontecem. Para as Olimpíadas, por exemplo, já temos uma super atenção dos nossos canais. Documentários sobre esses mesmos personagens, ainda que tenham novidades, seriam assuntos já explorados”, observou. 

Ornaghi contou que logo no início eles entenderam que conteúdos com o potencial de transcender a bolha esportiva, criando pontes com outros públicos, respondem melhor. “Escolhemos histórias que tenham diversas camadas, uma pegada novelesca, ganchos, personagens, começo, meio e fim, a jornada do herói”, detalhou. 

Como case, ele falou sobre a série documental “Doutor Castor”, uma das mais bem sucedidas do Globoplay. “Não é um documentário sobre Castor de Andrade. É uma ‘desculpa’ para falarmos sobre o Rio daquela época, futebol, jogo do bicho, política e televisão. Todo esse universo. É uma figura que é um arquétipo universal. Um cara que tenta fugir da sua natureza, que segue o puxando para aquilo que ele é. O futebol é rico desses arquétipos universais. Por isso estamos sempre pensando quais são os personagens e eventos que permitem que a gente conte uma história que transcenda”, reforçou. O executivo ainda citou os exemplos dos projetos sobre Casagrande, “um homem brigando com seus demônios interiores, algo que todo mundo sente, é um arquétipo universal”, e Elza e Mané, “uma história de amor que poderia ser enredo de novela”. 

Outro fator que interessa a Globo para futuros projetos é a possibilidade de reposicionar personagens. Ornaghi explicou: “Temos um sarrafo alto nos documentários originais. Fizemos documentários que temos orgulho de dizer que são definitivos. Ninguém vai contar de novo a história do Castor de Andrade. Além disso, reposicionamos os personagens, revisitamos, damos um verniz histórico que não existia antes. O documentário sobre Elza e Mané é outro exemplo. Para uma parcela grande do público, a Elza acabou com a carreira do Mané. Foi um veneno na carreira do maior jogador do mundo. E a série mostra que não. Ela se revela uma mulher que lutou a vida inteira para salvar aquele cara e não conseguiu. Tem camadas narrativas, a jornada do herói, posicionamento histórico e um arquétipo para trabalhar. Com esses elementos, aí sim temos matéria-prima para uma série documental capaz de transcender o meramente esportivo e atingir outras audiências”.

Desafios econômicos e criativos 

O gerente de conteúdo revelou ainda que o principal desafio na criação de documentários é produzir títulos que consigam estourar não somente no mercado local, mas viajar internacionalmente: “O mercado de streaming tem números muito otimistas. Precisamos agora construir coproduções e investir em parcerias. Contar histórias que interessem a vários mercados, e não somente a diferentes públicos, porque essa parte a gente já resolveu. Esporte, por exemplo, é paixão nacional, tem seus pontos de intersecção. O desafio é mais econômico”. 

E, da parte de produção, o desafio segue sendo quebrar expectativas de como abordar cada história – e, nesse sentido, ele mencionou um certo conflito entre players e produtores. “Por muito tempo, e ainda acontece um pouco até hoje, os produtores apresentaram certa resistência a outras formas de contar histórias. Um produto mainstream precisa ter certas características narrativas para ter penetração. Parece trivial, mas é difícil fazer. Existe um apego por parte dos produtores, tem um lado autoral envolvido, e que acaba sendo um empecilho para chegarmos a um lugar comum. As histórias precisam gerar lucro, consumo, assinaturas e engajamento”, elencou. “E corta para os lados, porque também dependemos muito desse olhar fresco das produtoras independentes. Pautas fora do radar da Globo, a partir de diferentes formas de ver o mundo, são muito enriquecedoras para nós. Mas é uma luta, um puxa-puxa para, no final, chegarmos no produto que acreditamos”, concluiu. 

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