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TV 3.0 irá inserir definitivamente a TV aberta na economia digital

Leonora Bardini, Leandro Gejfinbein e Ana Eliza Faria e Silva (Foto: Mendonça/ Divulgação Rio2C)

Nesta terça-feira, dia 4 de junho, o painel “TV do futuro: como será assistir TV amanhã?”, promovido pelo Rio2C 2024 neste primeiro dia de evento, reuniu profissionais da Globo para falar das novidades em torno do tema da TV 3.0 e as perspectivas para sua chegada ao Brasil. 

Leonora Bardini, diretora de programação e marketing da TV Globo, abriu a mesa com a seguinte provocação: “Na era do individual, qual o lugar da comunicação de massa?”. A executiva explicou que, para a emissora, essa questão dialoga com duas grandes forças da TV aberta hoje e que continuarão sendo suas fortalezas no futuro: sincronicidade e pertencimento. “A sincronicidade dialoga com o fato de colocarmos o Brasil inteiro assistindo ao mesmo conteúdo ao mesmo tempo. Isso gera uma sensação de comunidade. É acompanhar junto uma partida de futebol, o final da novela e a notícia do jornal. A sincronicidade, para a Globo, é a força do nosso alcance e relevância. Só no primeiro trimestre deste ano, falamos com 94% dos lares brasileiros. E tudo isso ao mesmo tempo”, destacou. A partir daí, uma camada que ganha novas nuances com a TV 3.0 é o pertencimento. “Hoje, a rede social é espaço de pertencimento – quando assistimos ao mesmo conteúdo na TV, é ali que comentamos e falamos a respeito. Nas possibilidades da TV 3.0, o pertencimento é o guarda-chuva por meio de onde as experiências acontecem. Nossa crença é que a comunicação de massa é falar com todos, e nosso papel é cada vez mais fundamental nesse mundo em que ficamos imersos em algoritmos, consumindo aquilo que é só pra gente. O que é pra todo mundo tem um valor enorme”, acrescentou. 

Convergência da TV aberta com o digital 

Ana Eliza Faria e Silva, gerente sênior do regulatório e telecom da Globo, apresentou no painel um panorama da evolução da TV aberta até a TV 3.0, que tem sido vista como um novo marco geracional da televisão. “Sob a ótica do telespectador, a TV 3.0 vai fundir seu ambiente de recepção. Isto é: hoje, temos em casa a TV aberta e a banda larga, em experiências separadas. Você sai de um ambiente de consumo e se conecta com o outro. A TV 3.0 traz essa interconexão. Todos os elementos da cadeia de forma integrada, simplificando o consumo dentro da casa das pessoas”, detalhou. 

Silva pontuou que a TV 3.0 é marcada principalmente por essa convergência entre TV aberta – que entra com seus maiores ativos, tais como força de marca, alcance, qualidade, gratuidade, segurança e acessibilidade – e o digital, que traz para esse universo sua conveniência, personalização, facilidade, dados e medição censitária: “A TV 3.0 insere definitivamente a TV aberta na economia digital, integrando em um único ecossistema atributos desses dois mundos”. 

Entre as principais novidades que a TV 3.0 apresenta para o consumidor está a interatividade, que permite engajamento e feedback instantâneos, com personalização da experiência com enquetes e votações, por exemplo, e o consumo direct to mobile, no qual é possível assistir a canais de TV ao vivo em smartphones sem conexão com a Internet. Para o mercado anunciante, uma das grandes vantagens está no maior volume de dados que é gerado, o que acelera o planejamento de mídia e amplia as possibilidades de monetização. “A base de dados se converte em oportunidades no ambiente de TV 3.0. Os dados são tratados com critério e privacidade, claro, mas são alavancas de personalização. Reconhecemos nuances e jornadas e, com isso, o consumidor recebe as melhores ofertas”, observou Silva. Nesse sentido, está ainda a estratégia do T-Commerce, a compra por meio do aparelho de TV. “É a oferta de consumo por impulso. O funil completo, do awareness à conversão, justamente porque apresenta a oferta dentro de um contexto personalizado e gera encantamento”, salientou a executiva. 

Perspectiva de lançamento comercial 

No entanto, é importante dizer que ainda não dá para ir até uma loja e comprar uma TV 3.0. “Ainda estamos conversando sobre esse processo e seu desenvolvimento. Tudo o que envolve televisão, envolve regulação, e ainda exige uma padronização tecnológica antes de chegar à população. É uma história de construção, que nasce da busca da própria indústria por evolução. Tivemos um marco importante a partir do decreto presidencial de que haverá um processo regulatório a partir dessa evolução da televisão. É um compromisso com o desenvolvimento da tecnologia. Neste ano, vamos fincar as bases tecnológicas para o sistema, para que em 2025 tenhamos as transmissões piloto e experimentais e, em 2026, possamos ter o lançamento comercial”, contextualizou Silva. 

Experimentações

A TV Globo já está experimentando na prática alguns conceitos da TV 3.0. Leandro Gejfinbein, diretor de experiência de usuário, explicou que a “nova TV” será apresentada para o consumidor como se fosse um app, com um ícone de catálogo, onde estarão todas as emissoras de TV. “É uma forma de acesso que já conversa mais com o digital”, observou. 

“Na TV 3.0, as possibilidades de interatividade serão parecidas com as que temos pelo celular ou computador, mas faremos isso pela TV, e por isso precisa ser simples e fácil de usar e compreender. Temos um cuidado muito grande com isso já agora na experimentação”, contou. E a TV do futuro será logada, isto é, o telespectador fará um cadastro e, a partir daí, a emissora terá informações sobre suas preferências e hábitos. 

“Apostamos nas experiências de interação que têm a ver com o que a pessoa está assistindo. É uma novidade, as pessoas precisam se acostumar. E queremos ajudar nisso”, disse o diretor, que adiantou algumas ferramentas que a TV 3.0 trará para o público, como informações contextuais que enriquecem a experiência daquilo que ele está assistindo – em uma reportagem sobre Jogos Olímpicos, por exemplo, será possível consultar neste menu o quadro atualizado de medalhas. Além disso, o intervalo comercial irá além do vídeo em si, e também trará esse elemento de interação. “Num comercial do Receitas, por exemplo, o consumidor receberá um cupom para comprar pizza com desconto a partir do controle remoto da sua TV. E com o nível de informação de geolocalização que teremos, será possível customizar a oferta – ou seja, o desconto poderá ser na pizzaria do bairro em que a pessoa mora”. 

Na parte de novelas, será possível “reagir” ao conteúdo, mais ou menos como as pessoas já fazem com as curtidas nas redes sociais, e acompanhar as reações dos outros telespectadores. Podem aparecer ainda enquetes e votações, com possíveis brindes e prêmios para a audiência. No futebol, as possibilidades também são variadas, como votação no craque do jogo, painel com outras informações sobre a partida e a opção de rever o momento do gol ou determinado lance e, depois, voltar à transmissão. “Em nenhum desses casos haverá mudança editorial do conteúdo. A interatividade não pode, por premissa, incomodar a experiência de quem não está interessado em interagir. Para interagir a pessoa terá que ativamente apertar um botão e começar sua jornada”, garantiu Gejfinbein. 

“É uma gama de possibilidades que vamos aperfeiçoando para melhorar cada vez mais a experiência do consumidor. Não abandonaremos as outras telas – mas vamos deixar para o celular o que faz mais sentido que seja feito pelo celular. É importante que essa nova experiência preserve tudo aquilo que é relevante para o nosso consumidor”, concluiu Bardini. 

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