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Premiado nos Festivais de Roma e Tokyo, “Kokoro – De Coração a Coração” será exibido no Festival do Rio

Após ser exibido e premiado em festivais internacionais, o filme “Kokoro – De Coração a Coração” chega à Première Brasil Competitiva de Curtas Metragens do Festival do Rio, onde compete como Melhor Curta-Metragem.

Eleito o melhor documentário de curta-metragem no Roma Short Film Festival, com Menção Honrosa no Tokyo International Short Film Festival e integrante da Seleção Oficial do 40º Festival Internacional de Cinema do Uruguai, a obra é dirigida por André Hayato Saito, da dupla Kid Burro, e produzido pela MyMama Entertainment.

O filme conta a história de amizade entre duas mulheres japonesas que se separaram quando uma delas imigrou para o Brasil. Conduzido em formato docuficção – um híbrido entre os gêneros documentário e ficção -, a produção solo de Saito integra uma trilogia de filmes que estão conectados ao resgate de suas raízes nipônicas.

“Kokoro – De Coração a Coração” surgiu de uma história real. O filme permeia a amizade da já falecida avó de Saito, Shigeru, com uma antiga amiga, Takae, em sua terra natal, o Japão. Após esse curta, outros dois filmes que representam a reconexão com a ancestralidade japonesa serão lançados: o curta “Vento Dourado” e o longa “Crisântemo Amarelo”, ambos em produção pela MyMama Entertainment.

Quando jovens, Shigeru e Takae fizeram um pacto eterno de amizade: se encontrar onde os botos cor-de-rosa se reúnem na Amazônia. Vinte anos após a morte de Shigeru, Saito e seus irmãos deram de presente aos pais uma viagem ao Japão, realizada em 2017, que incluiu visitar a cidade natal da matriarca já falecida. Com a ajuda de amigos locais, conseguiram encontrar Takae. Entre flores e chás, Takae pegou na mão de Saito e desandou a lhe contar histórias sobre sua avó, até que a avisaram que ele não falava japonês. Foi então que ela botou a mão em seu peito e disse: “Não importa, coração com coração (kokoro to kokoro) e nos tornamos um”. Naquele instante, Saito soube que precisaria transformar aquele momento em um filme.

No final de 2019, o diretor recebeu a notícia de que a casa onde Takae morava estava abandonada. Por um momento, pensou que ela havia morrido, mas então veio a descobrir que ela estava vivendo em um asilo. Foi aí que, em um impulso, comprou a passagem para as semanas seguintes e viajou mais uma vez para o Japão, junto de sua produtora e esposa Tati Wan. Lá do outro lado do mundo, com uma câmera na mão, sem roteiro, pesquisa ou tradutor, explorou a sua nova visita a Takae. 

“O Brasil é o país com a maior comunidade japonesa fora do Japão. Hoje, já são mais de 2 milhões de pessoas de origem nipônica no país. Em meio a esse movimento do Japão pra cá, fragmentos de identidade ficaram espalhados pelo caminho, sendo substituídos por uma experiência nipo-brasileira que ainda batalha para entender o seu lugar. O resgate da ancestralidade é uma base para ressignificar nossa identidade, e o filme busca trazer à tona como esse processo pode ser feito de maneira afetuosa, sem precisar criar mais cicatrizes em nossas trajetórias”, afirma Saito.

“A minha busca por tratar de feridas identitárias ainda abertas, de certa maneira, conversa com os filhos das diversas diásporas ao redor do mundo que precisam aprender a existir no entrelugar. Aqueles que não se sentem nem daqui, nem de lá. Além disso, o filme apresenta um processo de captação que tenta romper com o controle e o planejado, abdicando do processo de pré-produção clássico, e culminando em um profundo acolhimento de raízes por muito tempo negadas”, explica o diretor. 

No Rio, serão duas sessões: uma para convidados, no Estação Net Gávea, no dia 8 de outubro, às 19h15, e uma aberta ao público e seguida de debate, no Cine Odeon – CCLSR, no dia 9, às 13h30. 

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