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Netflix pré-licencia longas nacionais de produtoras de diferentes regiões, tamanhos e orçamentos 

Gilberto Toscano, diretor sênior da área jurídica e de negociações da Netflix no Brasil (Foto: Divulgação Rio2C)

Gilberto Toscano, diretor sênior da área jurídica e de negociações da Netflix no Brasil desde 2020, participou do painel “Estratégias de financiamento e novos modelos de negócio com streaming” na manhã desta quinta-feira, dia 6 de junho, no Rio2C, e falou sobre como a plataforma tem trabalhado especificamente os contratos de pré-licenciamento de produções brasileiras. “A presença de conteúdo brasileiro na Netflix é prioridade para a empresa já há algum tempo. Hoje mais do que nunca, e espero que amanhã ainda mais do que hoje. Mas ao longo dos anos, aprendemos que, para garantir e promover a presença constante dessas obras no catálogo, precisamos estar abertos a diferentes modelos de negócio e sermos flexíveis. Não existe um modelo padrão para todas as obras – cada uma requer um específico para alcançar seu potencial”, pontuou. 

Toscano explicou que, quando a Netflix recebe um projeto para avaliar, o processo de negociação passa por três variáveis: a primeira é a questão criativa, que visa analisar a fase em que ele se encontra – se é só uma premissa, se requer desenvolvimento futuro, se é um pacote criativo completo, com plano de produção próximo para filmar e etc. “Na hipótese da obra chegar sem desenvolvimento nenhum, o envolvimento de tempo e energia dos times Netflix será maior. Essa variável nos direciona mais para um modelo proprietário, e não de pré-licença. Com o pacote criativo pronto, é outra situação. A segunda variável é financeira, e considera se a produtora pede financiamento integral da plataforma, se já captou recursos ou pretende captar de outras fontes. Trata-se de uma variável fundamental para encontrar o modelo de negócio ideal. Por fim, está a variável que versa sobre quais direitos estão na mesa para negociar. Nesta etapa, entende-se quais são os parceiros que já fazem parte do projeto. Se já existem três parceiros, por exemplo, os direitos da plataforma seriam menores numa eventual entrada da Netflix. 

“O pré-licenciamento faz parte da estratégia da Netflix há alguns anos e continuará fazendo. Nessa negociação, a Netflix garante as exibições futuras em VOD e cada contrato tem as suas particularidades – se essa exibição será exclusiva; se englobará todos os territórios onde o streaming está presente ou somente Brasil e Latam, por exemplo; qual o período de tempo que o serviço manteria essa exclusividade; entre outros detalhes. Não existe um modelo único para todos os projetos”, salientou o executivo. 

Cases 

Ele apresentou três cases de pré-licenciamento que ilustram essencialmente essas diferentes possibilidades de contrato. O primeiro deles é o longa “Inexplicável”, cuja previsão de estreia é 2025. Trata-se de uma produção da Clube Filmes, do diretor e sócio da produtora, Fabrício Bittar. Segundo Toscano, é um projeto de um gênero pouco comum nos dramas nacionais: um drama médico. “A Netflix se interessa por uma variedade de gêneros, assuntos e temas. E não existe um recorte só para produtoras grandes, de determinado perfil. Acreditamos em grandes histórias, que podem vir de qualquer produtora”. Nesse caso, a negociação de pré-licença considera que, após o título ser exibido no cinema como primeira janela e começar a ser comercializado em TVOD, a Netflix tem exclusividade durante cinco anos das exibições em VOD nos territórios Brasil, América Latina e países lusófonos. Depois que parte desse período de licença passar, a produtora pode fazer a venda para canais de TV abertos e fechados no Brasil. O orçamento do projeto é cerca de cinco milhões de reais, e com a verba da pré-licença, a Netflix ajuda no financiamento do mesmo. “Também não existe um interesse único por orçamentos x ou y. Mais uma vez, acreditamos em grandes histórias, e elas têm orçamentos e desenhos variáveis”, ressaltou. 

O segundo exemplo é um longa da Cinemascópio, de Pernambuco, com direção de Kleber Mendonça Filho. A expectativa de estreia é para 2025 ou 2026. Nesse caso, é um projeto de orçamento bem maior, já apresentado à plataforma como uma coprodução independente – além da produtora brasileira, existe uma produtora francesa envolvida. Os recursos contaram então com a verba do Brasil, via FSA; da França; e ainda de outras fontes – entre elas, a Netflix, que fez seu aporte. O contrato, que também prevê o lançamento nos cinemas em primeira janela, garante a exclusividade em VOD para a plataforma durante sete anos, mas somente para o Brasil. “São pontos que ajustamos caso a caso, dependendo da disponibilidade de direitos que foi colocada à mesa”. 

O terceiro caso é um longa da Filmes de Plástico, produtora de Minas Gerais, com lançamento nos cinemas previsto para 2027, com direção de André Novais Oliveira. É um projeto de orçamento e características mais parecidas com o primeiro exemplo, da Clube Filmes. Um diferencial interessante é que esse projeto chegou para a Netflix ainda na etapa inicial: um roteiro, que o time de aquisição leu, gostou e entendeu que já estava pronto ou quase pronto para filmar. “Com isso, mostramos que os projetos podem ser oferecidos em diversos estágios de desenvolvimento criativo. São aspectos que nos fazem negociar o pré-licenciamento de outra forma”. É importante notar ainda que dois dos exemplos dados por Toscano são de produtoras fora do eixo Rio-São Paulo, de diferentes tamanhos. 

Pré-licenciamento de séries 

Por fim, Toscano disse que é do interesse da Netflix pensar num modelo de pré-licenciamento de série que seja escalável – até então, os projetos de pré-licença são somente formatos de longa-metragem. “Estamos conversando com produtores sobre essa possibilidade e temos interesse em desenvolver isso”, garantiu. 

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