IBC2012
07/09/2012, 17:39

Segunda tela: da democracia em tempo real ao futebol ao vivo

POR LETÍCIA CORDEIRO, DE AMSTERDÃ

O segundo dia do congresso da IBC2012, um dos maiores eventos mundiais de radiodifusão e telecomunicações que acontece até o dia 11 em Amsterdã, trouxe alguns cases interessantes do uso da segunda tela por radiodifusores. Como explica o co-fundador e diretor geral da francesa virdual.com, François-Xavier Cardon, é importante que os broadcasters parem de mandar sua audiência para redes sociais como o Twitter e o Facebook. “A tela premium é a da TV e para manter a audiência engajada com a TV é preciso uma segunda tela que funcione com interatividade e imersão, e não de forma independente”.

Aqui na Holanda, por exemplo, a segunda tela está sendo usada para acompanhar os debates ao vivo dos partidos que lutam para assumir o governo nas eleições gerais que acontecerão ainda no mês de setembro após a renúncia do então primeiro-ministro Mark Rutte, em abril deste ano.

Desenvolvido pela holandesa ExMachina, empresa com know-how em multiplayer games e social media, o “Realtime Democracy” permite medir o ‘sentimento’ em tempo real dos eleitores que acompanham o debate ao vivo, com enquetes sobre quem deve ter a última palavra, quem venceu o debate, permite compartilhamento em redes sociais e ainda faz análises dos dados coletados para divulgação de gráficos e relatórios.

“Conseguimos 120 mil pessoas usando a second screen simultaneamente durante os debates, o que é um número muito significativo em um país pequeno como a Holanda”, diz o CEO da ExMachina, Jeroen Elfferich. “Agora estamos à procura de parceiros que nos ajudem a aperfeiçoar o sistema, não permitindo, por exemplo, que uma pessoa vote mais de uma vez”, complementa.

Reality show

Na Alemanha, uma parceria entre a FremantleMedia e a Talents Media deu origem a uma interação interessante de segunda tela para o reality show Germany's Got Talent. A Talents desenvolveu uma plataforma de social TV contest, onde as pessoas se  candidatam, através do envio de comentários em vídeo, para concorrer à vaga de ‘sidekick’, uma espécie de jurado auxiliar que passa a fazer parte do programa. “As marcas querem novos modelos de engajamento de marketing e nosso objetivo é começar a trabalhar modelos de monetização da plataforma de social TV contest”, conta Dick Rempt, CEO da Talents. Segundo ele, a partir do próximo ano a interatividade com o reality show da FremantleMedia será integrada com publicidade.

Futebol

Já a Heineken aproveitou a condição de patrocinadora oficial da UEFA Champions League para promover um jogo com usuários do Reino Unido durante as transmissões ao vivo das partidas. “O público-alvo era a audiência de 72% das pessoas que assistem ao campeonato em casa e, de maneira geral, sozinhas, e ainda que não torcessem para um dos times que estivesse jogando a partida transmitida”, conta o diretor executivo de desenvolvimento criativo da AKQA, Andy Hood. Toda a ação do aplicativo de interatividade era ditada pelos acontecimentos da partida em andamento. Por exemplo, se era marcado um pênalti, o usuário deveria acertar o canto do gol em que o jogador de futebol chutaria a bola; ou mesmo antecipando um gol que achasse que estivesse perto de acontecer em 30 segundos. Além dos lances da partida, havia também enquetes sobre os times em questão. Cada acerto creditava pontos para o usuário, que competia com os demais telespectadores. “Conseguimos um média de 70 minutos de engajamento por partida, o que é muito. Isso mostra o poder da segunda tela”, conclui Hood.

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