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“Minha Irmã e Eu” e “Mamonas Assassinas: O Filme” sinalizam retomada do cinema nacional

Tatá Werneck e Ingrid Guimarães em "Minha Irmã e Eu"(Foto: Ellen Soares)

As últimas semanas de dezembro e as primeiras de janeiro são tradicionalmente promissoras para o cinema nacional. Historicamente, títulos brasileiros lançados no período conquistaram bons resultados de bilheteria – um dos principais exemplos é “Minha Mãe é Uma Peça 3”, com Paulo Gustavo, que estreou em 26 de dezembro de 2019 e se tornou a maior bilheteria da história do cinema brasileiro: o longa arrecadou mais de R$ 143 milhões e ultrapassou os 9 milhões de espectadores.

Ainda que muito diferente dos tempos pré-pandemia, o cenário atual tem dado fortes sinais de retomada. Produções nacionais recém-lançadas nos cinemas estão performando bem: a comédia “Minha Irmã e Eu”, dirigida por Susana Garcia (“Minha Mãe é Uma Peça 3”, “Minha Vida em Marte”), já soma 750 mil espectadores, enquanto a cinebiografia “Mamonas Assassinas: O Filme”, de Edson Spinello, alcançou a marca de 500 mil espectadores em menos de duas semanas em cartaz. 

Produção de comédia mescla humor e afeto

O filme “Minha Irmã e Eu”, protagonizado por Ingrid Guimarães e Tatá Werneck, estreou na reta final de 2023 – em 28 de dezembro, com sessões de pré-estreia a partir do dia 25 – e, na ocasião, já se consagrou como a melhor estreia de um filme brasileiro em 2023. O longa teve crescimento de 56% no número de espectadores em sua segunda semana de edição – o maior aumento entre os filmes do grande circuito. Apenas no último final de semana, 290 mil pessoas foram ao cinema conferir a produção. O filme, que até então já foi assistido por mais de 750 mil espectadores, se tornou a maior bilheteria do cinema nacional pós-pandemia. 

Na trama, as irmãs Miriam e Mirelly nasceram no interior de Goiás, mas moram em cidades diferentes. Quando a mãe delas desaparece, as duas deixam de lado as diferenças e se unem para procurá-la, numa viagem que pode mudar suas vidas. O filme tem produção da Paris Entretenimento, coprodução da Globo Filmes, Paramount Pictures, Telecine e Simba e distribuição da Paris Filmes. O roteiro é assinado por Ingrid Guimarães, Verônica Debom, Célio Porto e Leandro Muniz.

Para Mariza Leão, produtora associada, a produção certamente pode impulsionar um novo momento para o cinema nacional. “O filme irá ultrapassar o tão esperado 1 milhão de ingressos – e isso repõe a autoestima do cinema brasileiro. Creio que ‘Minha Irmã e Eu’ se torna, desde já, um divisor de águas nas projeções dos filmes nacionais”, disse a produtora com exclusividade para TELA VIVA. “O sucesso desse filme tem nome e sobrenomes: em primeiro lugar a Paris Filmes – Marcio Fraccaroli e Verônica Stumpf – que lideraram esse processo incansavelmente. O que os diferencia, dentre outras coisas, é a paixão pelo cinema. Em segundo lugar, Ingrid Guimarães, nossa embaixatriz do cinema brasileiro. Além do talento inequívoco, Ingrid tem também essa paixão pelo cinema. É incansável, guerreira e brilha como um sol nesse ambiente. Também não podemos esquecer de Tatá Werneck e Susana Garcia, que com seus talentos nos fizeram chegar a esse resultado”, completou. E falando especificamente sobre a trama, Leão destacou: “Mesclar humor, afetos e sentimentos é muito poderoso”.  

Jorge Assumpção, diretor da divisão de cinema da Paris Filmes, complementou: “O sucesso de ‘Minha Irmã e Eu’ é um grande indício de que o público está pronto para voltar ao cinema e ver histórias que conversem com sua cultura e realidades. O filme parece ter reforçado a emoção e o interesse dos espectadores por produções feitas no nosso país por equipe e elenco brasileiros. Neste momento de recuperação do cinema pós-pandemia, ver o filme alcançar, muito em breve, um milhão de espectadores, é uma injeção de ânimo”.

(Foto: Edu Moraes)

Cinebiografia conecta gerações

Outro recente sucesso é “Mamonas Assassinas: O Filme”, que narra a trajetória da banda brasileira dos anos 1990 e levou meio milhão de pessoas aos cinemas nas primeiras duas semanas em cartaz. O legado do grupo, marcado pela irreverência e autenticidade, conecta gerações e celebra a cultura pop do País. Na história, os amigos Dinho, Sérgio, Samuel, Julio e Bento são garotos com pouco dinheiro e muitos sonhos. De algumas tentativas fracassadas ao sucesso absoluto em pouco tempo, eles se tornam um fenômeno musical nacional da década. O filme é uma produção Total Entertainment com coprodução Mamonas Assassinas Produções e Claro. A distribuição é da Imagem Filmes. A direção é de Edson Spinello e o roteiro é assinado por Carlos Lombardi. 

“Estamos muito felizes com os resultados. No início, havia uma preocupação sobre ter dois filmes nacionais grandes na mesma época. Mas conversei com a própria Paris Filmes e com outros distribuidores e tenho a convicção de que a perda que poderíamos ter tido é muito menor do que o que nós ganhamos como cinema brasileiro. O fato de termos nesse final de ano dois títulos brasileiros com boa perfomance é incrível. Isso desperta aquele público adormecido, que passa a querer ir ao cinema para ver nossos filmes. É muito importante que todos os filmes possam caminhar bem e que possamos contribuir. Quando começamos o lançamento, não estávamos pensando só em ‘Mamonas’, e sim na indústria como um todo”, afirmou a produtora Walkiria Barbosa em entrevista exclusiva para TELA VIVA. 

Segundo Barbosa, estudos já comprovam que parte do público de “Mamonas” não é habitual de cinema. “Levar essas pessoas para assistirem é o desafio. Nesse sentido, acreditamos que ainda poderíamos fazer muito mais coisa. Mas estamos retornando. Aprendendo mais coisas. Especialmente após a pandemia e o governo anterior”, acrescentou. A produtora ainda reforçou: “Conseguimos esses resultados trabalhando de forma integrada – produtores e distribuidores, como uma única equipe, dividindo as coisas e correndo atrás. E o mais legal: em parceria com os exibidores. Nós aprendemos a trabalhar novamente com eles. Como produtores, ficamos esse tempo todo sem trabalhar junto. E eles também estão reaprendendo a trabalhar com a gente. Os resultados são fruto do trabalho feito por esse tripé da indústria”.  

Cota de tela 

É importante citar que o Senado aprovou a cota de tela para os filmes nacionais nos cinemas até 2033 na segunda quinzena de dezembro do ano passado. A produtora Mariza Leão é uma grande defensora da cota e explica: “A regulação da cota tem que ser primorosa. Refletir o mercado de forma viva. Não basta fixar o número de sessões. É preciso regular as regras para garantir que não haja perda de sessões na semana de estreia dos filmes. A chamada ‘lei da dobra’ é vital nesse momento”. 

Vale lembrar que outro projeto de Leão esteve no centro de uma das maiores polêmicas da história do cinema nacional: em 2019, “De Pernas pro Ar 3”, protagonizado pela própria Ingrid Guimarães, estava com um excelente desempenho nos cinemas, conquistando um público cada vez maior, mas teve seu processo interrompido por conta da estreia de “Vingadores: Ultimato”. Isso porque o lançamento da Marvel Studios levou as redes de cinema ao redor do país a retirarem o longa nacional das salas e o substituírem pelo filme dos super heróis. Em uma situação que beirou o absurdo, espectadores que já tinham comprado ingresso para a comédia brasileira não conseguiram assistir ao filme, uma vez que 80% das salas só traziam o “Ultimato” na programação. O episódio deixou a importância da cota de tela ainda mais latente. 

Para Barbosa, a cota de tela ajuda, mas não é suficiente. “Não acho que o que vai levar o público é a obrigação da exibição. Ela é importante para para todo o setor, para a cadeia audiovisual. Sabemos que em muitos países do mundo a cota de tela foi muito importante – mas construída de maneira democrática, entre os elos da cadeia produtiva. No início, isso não estava acontecendo. Não havia diálogo, nem todos os lados da história eram ouvidos. Nesse negócio, é necessário que haja entendimento para que seja bom e eficiente e que funcione em benefício da indústria do audiovisual brasileiro. E não podemos esquecer que a indústria não é só dos produtores, exibidores ou distribuidores. É uma cadeia de representantes”, pontuou. 

Expectativas para o cinema brasileiro em 2024 

Barbosa é bastante otimista em relação ao cinema brasileiro ao longo deste ano. “Espero que seja o grande momento para construirmos uma política de estado para o audiovisual brasileiro. É inadmissível que o Brasil entenda que a indústria do audiovisual está ligada somente ao Ministério da Cultura. O audiovisual tem importante peso no PIB e pode crescer absurdamente – mas se houver uma estruturação de política de estado. É nisso que acredito e aposto. Não tem como construir uma política de exportação sem um trabalho com o Ministério do Turismo ou de Relações Exteriores, por exemplo. Precisamos investir em tecnologia, conversar com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. É preciso que seja desenvolvida uma estratégia conjunta, com a participação do governo e da iniciativa privada”, analisou. 

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