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Consumo de canais Fast cresce, mas falta de transparência ainda limita monetização

Os canais Fast – free ad-supported streaming television – vêm ganhando espaço no consumo de conteúdo nas telas das smart TVs, conforme mostrou Essio Floridi, diretor de vendas e operações da Samsung Ads para a América Latina, no Seminário Brasil Streaming, realizado por TELA VIVA e TELETIME nesta terça, 9. O desafio para expandir a modalidade é atrair ainda mais conteúdo relevante e encontrar um modelo de compartilhamento de dados que permita rentabilizar ainda mais os serviços, apontaram diferentes players em painel do evento.

Segundo Fábio Lima, presidente da Sofá Digital, as programadoras de canais Fast ainda são limitadas por questões que assolam a indústria. “Uma delas é a falta de transparência”, disse. Para ele, os dados de consumo são importante para todos os elos da indústria. “Precisamos que os dados sejam compartilhados com o mercado para que tenhamos a exata visão de para onde vamos, para então criarmos estratégias de investimento, de criação, e até de regulação”, afirmou. Mesmo os dados anônimos são exclusivos das plataformas e inibem a comparação. “O que me interessa é se o canal Adrenalina é maior do que o do Bob Esponja. Isso impacta na negociação”, diz.

O consultor independente Omarson Costa concorda que faltam dados para alavancar ainda mais o crescimento desta modalidade de viabilização de conteúdo. “No linear tradicional tem as empresas de pesquisa. Mas no mundo digital, é prerrogativa o compartilhamento de dados. Tem que ter dados públicos e auditados”, disse. O efeito da comercialização e programação da publicidade sem acesso aos dados, explica Costa, será uma limitação no valor do CPM (custo por mil). Além disso, se o planejamento de inserções não for bem elaborado, o comercial fica repetitivo para muitos usuários e mal direcionado.

Aline Jabbour, diretora de Desenvolvimento de Negócio LATAM do Samsung TV Plus, uma das principais plataformas de canais Fast, justifica que a empresa compartilha dados, mas em forma de insights: “Não podemos entregar o dado cru, por conta da privacidade do usuário”.

Fabricio Proti é SVP de Ad Sales Multiplataforma América Latina e Country Manager Brasil da Paramount, grupo responsável pela plataforma pioneira em canais Fast, com mais de 400 parceiros em mais de 30 países, a Pluto TV. Segundo ele, a opção do grupo foi ter “a menor fricção possível” para a audiência. Por isso não há a necessidade de login ou de compartilhar dados de contato por parte do consumidor. Ele concorda que a prática limita o aprofundamento do conhecimento do consumidor, mas não vê, por enquanto, outro caminho. “Sempre nos perguntamos: e se pedíssemos, o que faríamos com esses dados? Teríamos informações mais ricas, mas comprometeria o acesso”, diz.

Bom e simples

Para Nelson Sato, presidente da Sato Company, os canais Fast começam a ganhar um espaço deixado por outras formas de distribuição. Segundo ele, o modelo transacional sob demanda, o TVOD, está sumindo. “O Cinépolis Click, que era a maior plataforma de TVOD do México, acabou de fechar. Às vezes a pessoas quer sentar em frente da TV e ver um canal linear”, diz. O conteúdo acaba ganhando espaço em outras formas de distribuição.

Segundo Fábio Lima, no TVOD não há mais espaço para conteúdos de nicho, de catálogo ou pequenos lançamentos. Para os filmes que tiveram grandes lançamentos em cinema, no entanto, o lançamento TVOD segue sendo uma estratégia importante de monetização. Alguns grupos, inclusive, voltaram atrás na estratégia de pular esta janela de distribuição. “A Disney tinha abandonado o transacional e já voltou. ‘Avatar’ está disponível em TVOD. A Paramount fez o mesmo com ‘Top Gun'”, diz Lima. “Uma única transação de TVOD monetiza tanto quanto 2 mil a 3 mil visualizações no Fast”, completa.

Segundo Aline Jabbour, do Samsung TV Plus, o segredo do sucesso das plataformas Fast está na facilidade de uso e na qualidade de conteúdo. “A nossa prioridade é trazer qualidade de conteúdo com conforto e relaxamento para o consumidor, a chamada lean back experience”, diz. Mas sem deixar de ter conteúdo para todo tipo de interesse. “Somos parte da sala nos lares, o conteúdo tem que abarcar todos os interesses da família, mas também os interesses individuais”, finaliza.

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