Radiodifusão
13/11/2019, 23:15

Para Abert, migração de TVs para a banda Ku é inevitável

(Aualizada às 08:30 de 14/11) Para as empresas de radiodifusão, o debate sobre interferências dos sinais do 5G na recepção de TV via parabólicas de banda C está superado. "Essa é uma página virada", diz Paulo Ricardo Balduino, consultor da Abert e personagem que acompanha o desenvolvimento do mercado de radiodifusão e das transmissões via satélite há décadas. A "página virada" é a posição pacificada entre os radiodifusores de que o problema precisa ser resolvido de uma vez e que o único caminho é a migração das transmissões de TV aberta para a banda Ku, especificamente para a banda Ku planejada, em 12 GHz.

Essa é uma faixa que foi planejada e coordenada globalmente em 1983 para receber a radiodifusão via satélite. Não é apenas uma atribuição, mas um planejamento que foi feito no âmbito da UIT para que houvesse garantias de proteção do espectro e das posições orbitais para radiodifusores em todo o mundo. "Essa é uma faixa para a qual existem vários satélites já operando, não existe nenhum risco iminente de que o IMT avance sobre esta faixa e resolve o problema de uma vez", diz Balduino.

Avanço do IMT

Segundo ele, o avanço das tecnologias IMT (como 4G, 5G e outras) sobre a faixa de 3,5 GHz é inexorável. "A banda C estendida, em 3,6 GHz, já está comprometida. Na conferência de radiocomunicação vai sair a indicação de estudos para avançar até a faixa de 3,8 GHz, o que na prática é dizer que vai avançar, e já há países falando em avançar o IMT até 4,2 GHz", diz Balduino, lembrando que a faixa de 3,6 GHz até 4,2 GHz já é atribuída a serviços móveis, o que dá a liberdade de qualquer país fazer o que quiser. "A radiodifusão já cerrou fileiras com o setor de satélite para defender a banda C, mas essa batalha já está perdida", analisa o consultor. Para ele, o modelo de migração dos canais de TV que estão na banda C para a banda Ku resolve o problema definitivamente.

Conforme já foi noticiado, estudos preliminares feitos pelos radiodifusores indicavam um custo de R$ 2,9 bilhões para financiar a migração para os usuários de banda C, pelo menos aqueles de baixa renda inscritos no Cadastro Único de programas sociais, número considerado elevado pelas operadoras de telecomunicações, que defendem a mitigação por filtros, o que custaria cerca de R$ 500 milhões, conforme noticiado por esta publicação.  Os valores sairão, de qualquer maneira, do leilão de 5G.

As contas dos radiodifusores tomaram por referência os dados básicos da Anatel. "Fizemos varias modelagens com dados e projeções confiáveis, mas resolvemos utilizar os dados que a Anatel extraiu da PNAD. Chegamos a um custo total mais barato do que os outros cenários". Questionado sobre o modelo proposto pelas teles, em que apenas um filtro seria instalado, Balduino lembrou que "o filtro de banda C precisa ser instalado por um técnico, não se conhece as condições destas parabólicas, que podem estar deterioradas. Estamos falando da aquisição de antena, cabos, LNBF, instalação etc. E mesmo que tudo isso desse certo, em três ou quatro anos será necessário fazer uma nova limpeza da faixa, que conduziria à migração para a mesma banda Ku", analisa.

Pontos abertos

Balduino reconhece que o modelo proposto pelos radiodifusores ainda precisa ser aprofundado. Uma das questões, por exemplo, é qual seria o satélite escolhido para receber os principais canais de TV, o que criaria uma posição orbital extremamente valiosa, com clientes cativos (como é hoje a posição do StarOne C2, onde estão os principais canais de TV). "Vai ser uma seleção que certamente terá concorrência, contrapartidas. É um dos pontos que penso que nós, radiodifusão, já devíamos estar discutindo com o MCTIC e Anatel", diz. Uma das propostas que circulam no mercado, por exemplo, é a regionalização dos sinais de TV nas transmissões via satélite, o que abriria espaço para vários operadores.

Outro problema é como administrar essa migração, e nesse ponto o modelo da EAD, que geriu a distribuição de kits de TV digital para a limpeza da faixa de 700 MHz é considerado um modelo a ser seguido.

Para Balduino, a aplicação de recursos públicos para resolver o problema da TVRO se justifica pela magnitude e impacto social do serviço. "É verdade que do ponto de vista regulatório  sequer existe um serviço público atrelado a estas transmissões, mas existe um legítimo interesse da sociedade, dada a quantidade de pessoa que dependem hoje do satélite para receber seus sinais de radiodifusão". Sobre o fato de que este é um mercado privado, Balduino comenta: "Vamos fazer uma analogia com o Fust (Fundo de Universalização da Telecomunicações): no dia em que for liberado pars cumprir suas funções sociais, vai-se precisar de empresas públicas e privadas como ferramentas de uma política social, certo? É por aí". Para ele, a migração para a banda Ku não é uma alternativa, mas a única alternativa possível para resolver o problema de forma limpa e definitiva.

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