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Atriz e produtora Ludmila Dayer estreia na direção com o longa autobiográfico “EU”, que fala sobre cura e saúde mental

Estreia da atriz e produtora Ludmila Dayer na direção, o longa-metragem “EU” é autobiográfico, e narra a jornada de cura da diretora depois de sofrer questões relacionadas à saúde mental, como pânico e ansiedade. Produzido pela Lupi Productions, de Los Angeles, fundada pela própria Dayer, o filme já está finalizado, mas ainda encontra-se em fase de negociação com janelas de lançamento. 

Além de imagens de campo e narração em off em primeira pessoa, o documentário traz entrevistas com xamãs, neurocientistas e psicanalistas, abarcando um amplo espectro de conhecimento sobre existência, espiritualidade e ciência. “EU” é dividido em sete partes: “autoconhecimento”; “a origem, período pré natal”; “o mapa gestacional”; “hierarquia e ancestralidade”; “a biologia da crença”; “o poder do coração”; e “a cura”. Waldemar Falcão (autor e astrólogo), Dra. Sandra Regina (médica, mentora e consteladora familiar), Dr. Diogo Lara (neurocientista), Max Továr (xamã) e Dra. Eleanor Luzes (médica psiquiatra) participam com depoimentos sobre as temáticas.

“Os problemas relacionados à saúde mental bateram à minha porta do dia pra noite – eu não tinha ideia que estava doente. O pânico veio de forma muito violenta. Minhas crises eram muito fortes e começaram a limitar meu dia a dia, minhas relações com as pessoas e minha capacidade de sair e socializar. Comecei a fazer terapia pela primeira vez na vida e entendi que o pânico era um sinal de que eu tinha que começar a processar certar emoções e traumas. Então entrei nesse caminho do autoconhecimento. Foi difícil no começo mas, ao mesmo tempo, fui logo descobrindo ferramentas que fizeram eu sair desse quadro muito rápido e que transformaram verdadeiramente a minha vida”, conta Ludmila em entrevista exclusiva para TELA VIVA.

“Fiquei tão grata ao universo pela oportunidade de ter tido acesso a essas informações que quis ajudar outras pessoas que estivessem em uma situação parecida. Eu senti uma certa urgência em dividir essas descobertas com todo mundo. As pessoas ao meu redor – família, amigos – já sabiam, mas queria passar mais adiante e criar uma corrente do bem. Na época, já estava desenvolvendo meu primeiro longa – ia produzir e digerir uma ficção, mas parei para fazer o documentário. Principalmente depois da pandemia, as pessoas precisam de uma palavra de consolo, de esperança”, completa. 

A xamã Max Továr é uma das especialistas ouvidas pelo documentário

Mudança de rota 

Durante o processo de edição do filme, Ludmila precisou pausar o projeto por problemas de saúde. “O filme mudou completamente a partir daí. Quando dei essa pausa, estava em meio a todo esse trabalho de autoconhecimento e terapia, que me fizeram encarar meu processo de forma muito positiva. Hoje, acredito que todos os males do físico começam primeiro na mente. Acho que são coisas que andam de mãos dadas. Entendi que coisas que estavam acontecendo comigo fisicamente eram por causa do interno, e por isso eu precisava de um processo de cura em todos os sentidos, aliando os dois tratamentos. Eu fiquei bem relativamente rápido – pensando de onde vim e para onde fui, foi coisa de seis meses. Quando voltei e sentei para editar o filme, percebi que ele tinha que ser contado de maneira diferente e mudei tudo”, relembra. 

“Resolvi eu mesma contar a história na minha própria voz, falando de um lugar mais pessoal e colocando minha jornada como fio condutor. Queria que quem estivesse assistindo se sentisse conectado. É criar uma conexão através da vulnerabilidade. Eu gosto de histórias verdadeiras – absorvo muito mais qualquer tipo de informação quando ela é realmente verdadeira e não vem de forma didática. Queria me colocar no filme como uma amiga, isto é, estou me abrindo para que o outro possa se abrir também. Hoje, acredito muito no poder da vulnerabilidade – isso fez parte do meu tratamento. Quando nos colocamos nesse lugar, as pessoas, mesmo as mais diferentes, se sentem mais iguais. Todos somos seres humanos e estamos aprendendo a viver. Nesse momento do mundo tão dividido e intolerante, quis fortalecer esse ponto de identificação”, explica. 

A atriz Fernanda Souza representa a personagem principal de “EU”

Equipe de amigos 

O longa foi filmado em 2021 e teve locações no Rio de Janeiro, São Paulo e Varginha. Fernanda Souza é produtora executiva do documentário, além de atriz convidada para representar a diretora na narrativa. Já Anitta atua junto com Thiago Pavarino como produtora associada. Eles assumem as responsabilidades relacionadas à contato, organização, marketing e visão de mercado. 

“Esse projeto é tão verdadeiro que pude trabalhar com todos meus amigos, pessoas que eram cúmplices do que eu estava fazendo e até dividindo os mesmos processos. Nós nos unimos com o intuito de passar a mensagem pra frente. A Fernanda esteve presente desde a primeira fase e foi a primeira pessoa que acreditou nessa ideia. Ela foi meu braço direito, tanto é que a escolhi para me representar em cena. Ela sabia de praticamente tudo que eu estava passando. Ainda na primeira fase, tive ajuda do Thales Corrêa, que foi meu co-editor até eu receber um diagnóstico e precisar pausar. Depois decidi que tinha que seguir sozinha, transformando direção e edição em uma coisa só. Ele tinha me ensinado muito, por isso senti que conseguiria. Mas mesmo nesse momento ele estava ali como amigo, me ajudando”, diz. Thiago Pavarino entrou no final do processo, “com toda sua experiência de mercado, para me ajudar a imaginar como a gente ia jogar esse filme pra frente”, conta Ludmila. “E a Anitta estava me acompanhando já há algum tempo. Ela estava emocionalmente conectada com o projeto e entrou como produtora associada, também trazendo sua visão de marketing e de mercado para colaborar nessa fase do filme pós-finalização. Tive as ajudas perfeitas nos momentos perfeitos, em uma união muito orgânica, nada muito planejada”. 

O filme está finalizado e sendo negociado com possíveis janelas de lançamento

Desafios e descobertas 

O filme marca a estreia de Ludmila na direção de longas. Como maior surpresa do processo, ela destaca o fato de ter descoberto que é capaz de assumir diferentes papéis – uma vez que, além da direção e produção, Dayer é responsável ainda pela fotografia, edição, roteiro e produção executiva. A atriz mora nos Estados Unidos desde 2006 e aproveitou sua experiência de quase 30 anos no ramo do entretenimento para fundar a Lupi Productions em Los Angeles, a produtora de sua estreia na direção. “Quando filmamos, ainda era pandemia, então escolhemos uma equipe bastante reduzida. Tive que absorver funções. Fiz a fotografia, operei câmera, pilotei drone. Esse processo foi a coisa mais fascinante pra mim. Só isso já foi um ganho sem tamanho. Descobri que tenho vários talentos – todos nós temos. Às vezes, nos colocamos em caixas. E nesse projeto, como não tinha outra opção, tive que testar outras caixas. Percebi que amo fazer tudo nesse mundo do cinema. São poucas pessoas que têm esse privilégio de brincar no set, experienciando coisas, e eu pude fazer isso. Acabei o filme com uma sensação de realização e confiança pessoal, e esse processo ajudou muito no meu processo terapêutico”, analisa. 

Próximos projetos 

Ludmila revela que direção sempre foi seu sonho: “Desde que eu era criança. Lembro de ver a Carla Camurati dirigindo ‘Carlota Joaquina’ e ter certeza de que queria fazer isso também. Estava esperando o momento em que me sentisse preparada. Em Los Angeles, estava mais na produção, aprendendo sobre esse mundo atrás das câmeras. Queria estar confiante para dar o próximo passo”. 

Finalizando “EU”, Ludmila retomou o projeto de ficção que estava tocando anteriormente, e que agora encontra-se em fase de desenvolvimento. “Não posso falar muito ainda, mas esse novo projeto é um sonho pra mim. É um filme muito complexo, que traz uma pegada daquele cinema que a gente amava assistir no final dos anos 80, começo dos anos 90. Tem muito a ver com quem eu sou, com meus gostos visuais e musicais”, adianta. Além disso, uma continuação desse primeiro longa biográfico também já está confirmada: “É um assunto que não tem fim, por isso o projeto tem que ter uma continuação”. 

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