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Manuh Fontes propõe reflexão sobre a importância da arte no documentário “Mise en Scène: a Artesania do Artista”

Através do processo criativo de diversos artistas, o documentário “Mise en Scène: a Artesania do Artista” busca ressaltar a importância da arte, que é pensada a partir da obra do filósofo Rainer Maria Rilke. O filme, idealizado por Maytê Piragibe, Leandro Pagliaro e Manuh Fontes – que também assina direção e roteiro –, busca tratar a arte como modo fundamental da existência e se define como um manifesto pela arte; um documentário que retrata a melancolia das reflexões de um artista até a criação e o mergulho em seus personagens. O título está disponível com exclusividade no Globoplay desde o início de setembro. 

Em entrevista exclusiva para TELA VIVA, a diretora Manuh Fontes explica que trabalhou muitos anos na televisão – ela já dirigiu programas como “Tá no Ar” e “Fora de Hora” – e, que apesar de gostar bastante, acha o processo da TV industrial, “a toque de caixa”, como ela define. “A arte em si pede tempo para acontecer e, na TV, muitas vezes a gente não consegue ter processos de criação muito longos. Essa minha angústia, de certa forma, me fez querer ressaltar a importância da arte”, diz. 

O projeto surgiu há quatro anos, quando Fontes estava em Gramado – RS, durante uma das edições do Festival de Cinema da região, e foi procurada pela atriz Maytê Piragibe – uma das idealizadoras da obra. As duas conversaram sobre esse interesse em comum de conhecer o processo de criação dos atores e atrizes. “Começamos a pensar em fazer um documentário. Eu queria abordar um tema maior, que é essa importância da arte. Eu estava mergulhada na obra do filósofo Rainer Maria Rilke na época. Ele fala de arte de forma essencial, conectando-a com diferentes temas da vida, como natureza, morte, vida e amor, entre outros. E eu concordo, além de achar que todos somos artistas por vocação. Então quis pegar esses temas para escrever o roteiro”, relembra a diretora. 

Conforme Fontes pontuou, a ideia desde o início era abordar a arte como algo que está em tudo, que é inerente à vida. “Queria juntar temas e mostrar que a arte existe dentro disso. A arte está, inclusive, na política. Tudo é político – até mesmo algo que diz que não é político. Falar de arte já é um posicionamento político, um lugar de fala. Ainda mais num país tão rico culturalmente como o nosso e que está passando por tudo que tem passado”, reflete. 

Em uma das passagens do filme, Antonio Fagundes, por exemplo, diz que qualquer manifestação artística tem uma função política. “Mesmo aquela que diz que não é política, por não ser política ela está sendo política, pela vontade de não ser política ela está assumindo uma postura política”.  

Camila Pitanga é uma das atrizes que participam de “Mise en Scène: a Artesania do Artista”

Atores e atrizes falam sobre arte 

Manuh Fontes rodou no Rio de Janeiro antes e durante a pandemia e reuniu vários atores e atrizes, que falam sobre seus processos criativos e sobre a importância da arte na vida da gente. 

Temas como a infância, vida, criação, política e morte são pensados pelos atores do filme, que através de conversas e expressões artísticas pretendem fazer o público sentir a força da arte e as diversas sensações que ela pode provocar. Esses momentos se entrelaçam com a figura misteriosa – representada por um personagem mascarado que se encontra desconectado de sua arte em um mundo solitário – e que, ao se reencontrar com memórias infantis, consegue resgatar a inocência e a pureza de uma criança que o faz retornar aos palcos teatrais.   

Entre os nomes que dão seus depoimentos, estão Antônio Fagundes, Zezé Motta, Camila Pitanga, Dira Paes, Marco Nanini, Gabriel Leone, Cássia Kis, Maytê Piragibe, Bruno Fagundes, Gustavo Miranda, Lucas Oradovschi e Maurício Flórez. A narração, por sua vez, é de Glória Pires.

“A escolha dos artistas passou por gente com quem eu já tinha trabalhado. Além disso, alguns entraram em contato comigo no meio do processo porque ficaram sabendo do filme e queriam participar. Acho que, no fim, o documentário virou um verdadeiro manifesto pela arte. Pra mim ele é isso: uma tentativa de dar voz aos nossos artistas adormecidos, que somos nós mesmos, qualquer pessoa; e também aos artistas mesmo, que trabalham com isso. Eu já conhecia um pouco do processo de criação da maioria deles e também a energia que têm. Por isso, montei as intervenções artísticas que aparecem no filme a partir de recortes de memórias que eu tinha deles. Mas nunca contava antes o que ia acontecer. O resultado é uma junção desse meu recorte de memórias, da energia de cada um e da atmosfera do momento presente”, avalia Fontes. 

A maioria dos artistas foi entrevistada dentro de suas próprias casas. “A casa é o lugar de criação de cada um, e isso criou uma atmosfera favorável. A interação aconteceu de forma fluida”, completa.

Marco Nanini também está entre os artistas do documentário

Internacional 

“Mise en Scène” concorre como melhor documentário no Festival Independente de Cinema de Toronto. “O fato de conseguirmos essa seleção – um documentário brasileiro, com artistas brasileiros, tendo reconhecimento internacional – se deve à importância da arte, o quanto precisamos entender que ela é importante. Um país sem arte não tem memória nem alma. Poder dar voz aos nossos artistas, às pessoas que representam nosso país, é muito lindo”, celebra a diretora. 

Próximos projetos 

Manuh Fontes já dirigiu para a televisão e, com “Mise en Scène: a Artesania do Artista”, faz sua estreia na direção de longas-metragens – e não pretende parar por aí. Atualmente, ela trabalha com um filme experimental e, em paralelo, desenvolve um roteiro com a escritora Martha Mendonça. Trata-se de um enredo baseado no livro “40: Um Romance Feminino”, de Mendonça. “Quero contar histórias de mulheres, histórias que partam do nosso ponto de vista. Será meu primeiro filme de ficção e, no momento, esse projeto é minha principal meta”, conclui Fontes.

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