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No “Café com Pixel”, Samantha Schilling, da Songtradr, fala sobre as trilhas sonoras e as obras musicais no audiovisual

(Foto: Reprodução YouTube)

Samantha Schilling, VP de Neighboring Rights na Songtradr, empresa que atua no “meio de campo” entre a música e o audiovisual, é a convidada do novo episódio do “Café com Pixel”, programa do canal do YouTube da TELA VIVA criado em parceria com a CQS/FV Advogados. Na Songtradr, a função de Schilling é desenvolver o negócio na parte da arrecadação de direitos pelo uso da música no audiovisual, com clientes de diferentes países ao redor do mundo, inclusive o Brasil. “Trabalhamos de perto com o País, com o ECAD recolhendo esse dinheiro para os clientes locais ou internacionais”, disse. No programa, a executiva abordou essencialmente a realidade da negociação de direitos e uso para trilhas sonoras e obras musicais na produção audiovisual. A empresa trabalha diretamente com todo o ecossistema – entre os clientes, estão detentores das propriedades intelectuais das músicas e produtores audiovisuais que querem contratar essas músicas, além dos próprios intérpretes e músicos. 

Para ela, o Brasil tem um sistema mais evoluído na arrecadação e reconhecimento de direitos, com sociedades que trabalham os dois lados – o publishing e o conexo, que é o fonograma. Fora do Brasil, essas coisas são tratadas por sociedades diferentes. “Uma trabalha só o digital, outra o autoral, a outra o comercial… Quando você olha para a parte global do trabalho, por mais que sejam lados de uma mesma moeda, são processos diferentes”, contou. 

No entanto, ela faz uma crítica: “Acho que muitas produtoras do Brasil não entendem ainda o valor desse backend. É sempre bem focalizado na verba que vem imediatamente, e não na verba que pode continuar sendo gerada no futuro. Nos Estados Unidos (onde a executiva está baseada), isso é muito bem entendido e tem um peso extremamente grande – se não for o maior peso no valor e na arrecadação da propriedade intelectual. Na América Latina, ainda tem bastante espaço para se explorar esse valor dentro das produtoras e estúdios”. 

A executiva explicou algumas coisas básicas desse trabalho, como por exemplo a discriminação de uso de um fonograma. “Existe uma discriminação de como os fonogramas são utilizados dentro de obras audiovisuais. Se é no tema de abertura ou encerramento ou como background, por exemplo. E o valor é diferente dependendo desse uso. É uma regra mundial. Isso cria uma noção de faixas – faixa 1 para tema de abertura ou uso em horário nobre, por exemplo – e cada faixa tem um ranking com um valor diferente que pode ser recolhido com base em como está sendo consumido o fonograma”, detalhou. “E nós fazemos esse acompanhamento. É um trabalho de formiga, pois temos um volume muito grande. Precisa ser feito devagar, para não cometermos erros, como deixar de recolher um valor que deveria ter sido recolhido”, pontuou. Ela afirmou ainda que, apesar de já existirem algumas tecnologias que fazem esse controle, elas ainda não “chegaram lá”. 

Schilling também analisou como a relevância das trilhas sonoras mudou com o passar dos anos. “Antigamente, CDs com a trilha sonora de um filme, por exemplo, eram comercializados, então existia esse consumo da trilha comercial. Mas como a audiência se tornou bem mais qualificada, e o consumidor passou a entender sobre músicas originais, a trilha sonora hoje tem um peso muito grande na sua própria distribuição. O consumo da trilha mudou muito com a explosão do digital. Agora o compositor é famoso”, brincou. 

Entre os grandes problemas do mercado, a executiva destacou o fato de cada país ter uma regulamentação diferente, o que exige que a empresa tenha um time especializado em cada país para recolher da melhor forma o que está sendo gerado para os clientes, e as questões de clearence, ou licenças. “Atualmente, vejo vários estúdios e produtoras no Brasil passando por problemas com isso. São clientes que venderam suas obras audiovisuais para plataformas como Netflix ou Amazon, para exibição no streaming, mas não tinham os direitos na parte da música para fazer isso, porque os contratos antigos não previam essa perpetuidade. Aí, eles levam multas enormes do selo e da editora. Os contratos antigos não tinham essa abertura para expandir o direito de explorar o fonograma e a composição para além do que estava sendo feito naquele momento. Esse é um problema muito grande dos contratos antigos que, hoje em dia, já não existe tanto. Hoje, os contratos liberam mais, a exploração é infinita. Nos Estados Unidos, a indústria está mais madura, então os problemas de clearence não acontecem tanto. No Brasil, há muitos clientes passando por isso agora”, finalizou. 

Assista ao bate-papo na íntegra no canal do YouTube da TELA VIVA ou confira abaixo: 

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