Opinião do leitor
19/02/2020, 22:00

Como conter o vírus da pirataria

POR SIMON TRUDELLE – DIRETOR SÊNIOR DE MARKETING DE PRODUTO DA NAGRA

A pirataria é um dos maiores desafios enfrentados pelo setor de TV paga nos dias de hoje. Pesquisas realizadas pelo Fórum da Inovação da TV por assinatura (Pay-TV Innovation Forum) em 2019 mostram que o número de lares que usa serviços ilegais de TV em todo o mundo cresceu de 11% em 2017 para 17% no ano passado, um sinal claro de que é necessário tomar medidas para interromper o vírus da pirataria antes que seja tarde demais.

A pirataria não é um problema novo. Mas nós, como indústria, estabelecemos uma forte base e regras comerciais sólidas para resolvê-la. O mesmo precisa acontecer hoje na nova era de distribuição online: o ecossistema como um todo precisa agir em conjunto – infraestrutura, distribuidores, proprietários de conteúdo – para combater novas ameaças que estão surgindo.

Há um senso de urgência. O alto escalão das empresas do setor não deve mais se perguntar se deve investir em proteção de conteúdo, mas se está investindo o suficiente nas áreas certas para proteger os modelos de negócios agora e no futuro.

Mas antes que possamos procurar a cura, precisamos primeiro identificar a fonte da infecção. Dado que qualquer pessoa conectada à Internet pode estar em qualquer lugar do mundo, é difícil para os provedores e proprietários de conteúdo acompanhar de onde ele está sendo roubado. E, à medida que mais serviços diretos ao consumidor (direct-to-consumer (DTC) services), com conteúdo exclusivo, ficam online, incluindo valiosas transmissões esportivas, o problema só vai aumentar, a menos que medidas sejam tomadas.

Depois que a ameaça precisa é identificada, os provedores de serviços, os proprietários do conteúdo e as empresas de tecnologia devem trabalhar juntos para impedir a infecção, buscando uma abordagem tripla de infraestrutura, legislação e tecnologia.

Com infraestrutura protegida e estruturas legais sólidas, a tecnologia pode ser uma maneira ainda mais eficaz de combater a epidemia de pirataria. Desde a incorporação de marcas d'água forenses no conteúdo para detectar o local onde ocorreu o roubo até o monitoramento e o bloqueio de IP, empregando tecnologias para impedir a pirataria, essas medidas são vitais.

E, ao bloquear fluxos de piratas, é criado um benefício adicional, fazendo com que os espectadores se sintam frustrados com serviços piratas não confiáveis, levando ao retorno a serviços de TV legítimos. Se você quer assistir a algo e não consegue, desiste. Consumidores piratas não são diferentes. Para que as atividades antipirataria de um operador sejam realmente bem-sucedidas, elas precisam do apoio de legislaturas em vários territórios para criar estruturas legais que lhes permitam bloquear fluxos imediatamente e trabalhar com as autoridades para prender os criminosos.

É uma situação complexa, com diferentes regulamentos legais em todo o mundo, mas, à medida que os piratas se tornam mais internacionais, as atividades que podem impedi-los também precisam ser internacionalizadas – e isso só é possível com a ajuda de governos e associações industriais. A falta de ação pode levar a um impacto negativo significativo nas economias regionais e locais, afetando os cidadãos, as economias globais e pode até prejudicar as relações internacionais.

Não há bala para enfrentar o desafio da pirataria. Requer uma abordagem holística que permita a proteção total do serviço contra uma ampla gama de ameaças e incorpore serviços e tecnologias antipirataria robustos que podem interceptar fluxos de piratas, interromper sua infraestrutura e bloquear o acesso a serviços pirateados. Com a estrutura legal adequada e a reação correta, os operadores e proprietários de conteúdo podem aumentar sua imunidade e proteger da pirataria seus valiosos ativos.

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