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Manifesto pede a valorização dos roteiristas nos editais públicos do audiovisual 

Newton Cannito e Marcilio Moraes, roteiristas e ex-presidentes da ABRA (Associação Brasileira de Autores Roteiristas), se uniram para a criação de um manifesto pela valorização do roteirista nos editais públicos de audiovisual. A valorização da autoria nas obras e a demanda por mais direitos e participação nos processos para os roteiristas foi, inclusive, tema de painel do Rio2C na última semana.

No texto da petição online, que está aberta para assinaturas, Cannito escreve: 

“Quantos pontos valem os roteiristas do audiovisual? É esta a pergunta que mobiliza os autores roteiristas abaixo-assinados a se apresentarem diante das autoridades competentes para expor e reivindicar o que se segue. Nos editais da Ancine recém-publicados, existe pontuação para diretores e produtores, mas não para roteiristas. A experiência destes profissionais simplesmente não é considerada. Isso precariza toda a categoria. Como a experiência do roteirista não é considerada na Avaliação dos Projetos, os produtores, em muitos casos, obrigam os roteiristas menos experientes a aceitar cachês muito baixos, o que degrada a qualidade dos roteiros produzidos. Daí reivindicamos que seja inserida nos editais, em todas as esferas, pontuação para os escritores do audiovisual, medida urgente que não apenas fará justiça ao trabalho fundamental destes profissionais, mas também será decisiva para a melhoria da qualidade da nossa produção artística”. 

E em entrevista exclusiva para TELA VIVA, ele reforçou: “Acredito de verdade que esse renascimento da nossa indústria tenha que contar com a participação dos roteiristas experientes, que já fizeram muitas obras de sucesso”. Para ele, é o Estado que deve orientar o mercado para valorizar a criatividade – criatividade esta que vem justamente dos autores. “No Brasil, ainda acreditam que o tamanho da produtora garantirá o sucesso do filme. É apenas uma das pontas. Temos que valorizar também autores, roteiristas e diretores em pé de igualdade. Aí sim chegaremos a obras realmente comerciais. Isso pode orientar todos os editais”, pontuou. E falando especificamente sobre projetos de TV, ele enfatizou que as séries brasileiras não têm o papel do showrunner, coisa que é muito comum lá fora: “Por que temos poucos roteiristas tratados como showrunners aqui? E tantos nas séries internacionais? Acho que essa pergunta diz tudo”. 

Histórico 

“O audiovisual brasileiro mudou muito. Tradicionalmente, nossa televisão valorizou o roteirista porque a novela, gênero que preponderou, é obra de autor. Foi o grande acerto dos dirigentes da TV. Com isto, escritores de novela atingiram status de celebridades – poucos, claro, pois o mercado é restritíssimo. No cinema não foi bem assim. O roteirista nunca foi devidamente valorizado. Mas nada comparado com o que está acontecendo agora, depois da entrada das plataformas de streaming. Pelo menos o currículo, a experiência do roteirista, até então eram considerados. Agora, não: os contratantes só têm em mente a redução dos custos da produção, sem maiores preocupações com a qualidade do produto. A vítima maior desse esquema, além do público, são os roteiristas”, analisou Moraes, também em entrevista para TELA VIVA. 

Cannito já foi Secretário do Audiovisual e afirma que no primeiro e no segundo governo Lula o papel do roteirista no mercado era mais valorizado. “O debate sobre roteiro era importante. Depois, começaram a acreditar cada vez mais apenas no currículo da empresa produtora e pouco no roteirista. Foi uma pequena mudança de rumo – que é muito fácil de retomar. Os roteiristas podem colaborar muito na construção do nosso audiovisual”, enfatizou. 

Próximos passos 

“Um dos aspectos importantes da nossa proposta é ressaltar a necessidade de reforçar, praticamente reabrir o mercado de trabalho para os roteiristas experientes e, ao mesmo tempo, garantir aos iniciantes uma carreira para o futuro, livrando-os de condições desfavoráveis de salas de roteiro em que a autoria se dissolve e o currículo não melhora”, defendeu Moraes. Entre as medidas necessárias, ele cita algumas, que inclusive já fazem parte dos programas de ação das entidades representativas da categoria, como a ABRA e a GEDAR, tais como o direito ao crédito profissional não apenas na obra em si, mas também no material de propaganda e divulgação, verbas para desenvolvimento exclusivas de roteiristas e direito autoral de remuneração por cada exibição pública de suas obras. 

Para além das assinaturas na petição, Cannito apontou que os próximos passos envolvem tentar apoio das entidades – eles já estão trabalhando nesse sentido – além de buscar reuniões junto da Ancine para implantar as mudanças nos editais. “Queremos também influenciar os editais da Lei Paulo Gustavo, que estão começando a ser feitos pelas prefeituras”, finalizou. 

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