Políticas culturais
20/05/2020, 11:28

Regina Duarte deixará a Secretaria Especial de Cultura e assumirá a Cinemateca Brasileira

O presidente Jair Bolsonaro anunciou em sua página no Facebook nesta quarta, 20, a saída de Regina Duarte da Secretaria Especial de Cultura do Ministério do Turismo. Ela assumirá o comando da Cinemateca Brasileira, em São Paulo.

Em vídeo postado pelo presidente, a secretária ironiza as notícias sobre o seu processo de fritura no Governo Federal e diz que ganhou "um presente", que é um "convite para fazer Cinemateca". Ela diz que vai "ficar secretariando o Governo, dentro da Cultura, na Cinemateca".

A atriz diz que vem sentido falta da família e que quer ficar próxima de filhos e netos. No vídeo, Bolsonaro diz que, com a mudança de cargo, ela poderá ficar próxima ao seu apartamento, em São Paulo.

Convidada para assumir a Secretaria de Cultura no final de janeiro, e após o que chamou de um "noivado", Regina Duarte assumiu a pasta no dia 4 de março propondo um diálogo permanente com o setor cultura. Em seu discurso, cobrou a autonomia prometida para que assumisse a Secretaria Especial de Cultura, afirmando que o convite do presidente Bolsonaro "falava em porteira fechada e carta branca". Já na posse, Bolsonaro relativizou a promessa, afirmando que poderia exercer o poder de veto de alguns nomes (para cargos na pasta). Ainda em clara referência à carta branca prometida, o presidente disse que a nova secretária deveria passar por um período probatório.

A passagem de Regina Duarte pela secretaria evidenciou que a autonomia desejada não chegaria, com a indicação de nomes para órgãos ligados à pasta sem o seu conhecimento. Com alta rejeição na ala mais ideológica do governo, Regina Duarte pareceu tentar sinalizar um enquadramento à ideologia do atual governo em uma polêmica entrevista à CNN, na qual amenizou a ditadura, relativizando a violação de direitos humanos. Com a entrevista, perdeu o pouco apoio que tinha na área cultural.

Cinemateca

A Cinemateca Brasileira é a instituição responsável pela preservação da produção audiovisual brasileira. Com 80 anos de existência, desenvolve atividades em torno da divulgação e da restauração de seu acervo, com cerca de 200 mil rolos de filmes. 

A entidade vem passando por um processo de sucateamento, tendo perdido orçamento e sua mão de obra altamente especializada, sobretudo na última gestão.

Recentemente, profissionais e entidades da área de preservação e do audiovisual atentaram, em carta pública, para o "desmonte do serviço público e a instabilidade que circunda a gestão da Cinemateca Brasileira".

Para os subscritores do documento, o modelo de gestão por Organização Social, "apesar de ser um projeto propagado como uma forma de dar mais autonomia e agilidade administrativa", "não confere autonomia, mas dependência de contratos de fácil rompimento". Apontam ainda que profissionais com experiência na área acabaram afastados da Cinemateca Brasileira e que os funcionários públicos que compunham o quadro da instituição foram remanejados para outros organismos federais, "afastando trabalhadores de ampla experiência na área".

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