CINEMA
20/06/2022, 18:38

"As Verdades", de José Eduardo Belmonte, estreia nos cinemas em 30 de junho

O longa "As Verdades", dirigido por José Eduardo Belmonte e estrelado por Lázaro Ramos e Bianca Bin, chega oficialmente aos cinemas no dia 30 de junho com distribuição da Gullane. O filme teve sua première na 45ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, com exibição no festival no Vão Livre do MASP.  

Rodado em Itacaré e Maraú, o filme marca a volta de Lázaro Ramos como ator aos cinemas e a sua terra natal depois de "Ó Paí, Ó". A história é contada a partir de três versões diferentes dos suspeitos de um assassinato. Em cada hipótese, um novo acusado. O crime é contra Valmir (ZéCarlos Machado), candidato a prefeito da cidade. Cabe ao policial Josué (Lázaro Ramos) investigar quem está falando a verdade.   

O elenco também é composto por Drica Moraes, Thomás Aquino e Edvana Carvalho. Com roteiro de Pedro Furtado e assistência de direção de Suzy Milstein, "As Verdades" é uma produção da Gullane em coprodução com Globo Filmes e Canal Brasil. Telecine é apoiador. Assista ao trailer: 


"O processo do filme foi curto – rodamos em apenas 18 dias – mas muito intenso, e reverberou muito na minha vida. Entre tantas coisas boas que guardo deste trabalho, foi o elenco. Tivemos uma irmandade muito forte. O projeto é muito deles também – coisas que os atores falaram foram fundamentais para reestruturarmos o filme. O processo de construção foi muito dinâmico, ágil e colaborativo. Isso foi muito rico e me marcou muito como artista", disse o diretor José Eduardo Belmonte em coletiva de imprensa realizada nesta segunda-feira, dia 20 de junho. 

O elenco concorda com ele e também devolve os elogios. Para Drica Moraes, o trabalho do diretor destaca-se pela escuta, que é algo que está faltando hoje. "As pessoas sabem muito o que dizer mas nunca estão no presente, recebendo aquilo que está sendo oferecido, sugerido, e Belmonte se permeia nisso na construção da narrativa. Foi um processo encantador do começo ao fim", afirmou a atriz. Lázaro Ramos, por sua vez, acrescentou: "Um dos motivos que me fizeram entrar no projeto foi vivenciar esses encontros e reencontros. A criação das nuances dos personagens veio dessa relação com o diretor, que gosta das leituras, dos ensaios e de todo o processo de preparação". Edvana Carvalho completou: "Foi um trabalho de muita cooperação, com um diretor que nos deixou à vontade para buscarmos a verdade de nossos personagens". 

Pluralidade de temas, gêneros e sotaques 

Na trama, o policial Josué tem que resolver um crime contra o empresário Valmir, em um pequeno município do sertão. A história acontece através de três pontos de vista. Primeiro: o crime é contado por Cícero, um matador de aluguel. Segundo: a história é narrada pelo ponto de vista de Francisca, a noiva do empresário. Terceiro: é revelado o ponto de vista de Valmir, que sobreviveu. Essa combinação é apresentada em um roteiro que o ator ZéCarlos Machado definiu como "inteligente, sensível e provocador, e que desperta no espectador surpresas e um exercício de reflexão muito necessário", e que para Thomás Aquino resulta em um "liquidificador de gêneros", como suspense, terror, drama e romance. 

"Cada dia que passa tenho mais convicção que precisamos oferecer os mais variados gêneros de filme falados em português, no nosso país. O público brasileiro merece isso. Além disso, foi muito bom ter tido a oportunidade de explorar novos lugares, a possibilidade de voltar para a Bahia, agora em outra região, para fazer um filme desse gênero", pontuou Lázaro Ramos. "É um filme de muitas camadas, independente de ser policial, dessa temática. Estamos falando muito de auto-verdade, que é um fenômeno muito presente, e isso me interessa muito. Meu personagem é uma pessoa que escuta a todos para identificar qual é, afinal, a verdade. É um personagem em conflito, dividido entre seu ofício e sua paixão. A história não é só sobre a auto-verdade, não se centraliza nisso, mas é uma das reflexões que ela pode trazer", ressaltou. 

Entre outros temas que o longa traz à tona, Drica Moraes destaca a circunstância da normalização do abuso feminino: "O feminismo está caminhando, mas é uma luta que dá um passo para frente e três para trás, por isso precisamos estar sempre gritando. No filme, minha personagem é uma mãe comprometida com a normalização desse abuso porque já viveu isso, é de uma geração na qual nem era crime. Por isso precisamos mostrar isso sempre". A atriz ainda analisou: "Esse título, 'As Verdades', me marcou bastante, porque falamos sobre verdade em tempos de fake news. É tocar em um vespeiro que está aí, algo que está sendo legitimado. Uma mentira dita dez vezes vira uma verdade – e sabemos que criminalistas no Brasil trabalham em cima dessa técnica". 

Outro ponto levantado pelo elenco é a diversidade de culturas em cena. "Não podemos servir só um ou outro sotaque. Temos que quebrar esse paradigma, mesclar todos os sotaques. Isso é muito importante no cinema nacional", reforçou Edvana. "Diante da pluralidade que é o Brasil, nós nos perguntamos qual seria o 'sotaque neutro' que ainda ouvimos falar. É necessário retirar a origem de alguém?", questionou Thomás Aquino. "Claro que se um roteirista, dependendo do filme, se escreve que o personagem nasceu em um lugar específico, no interior de uma região, aí sim podemos fazer essa busca por um sotaque, estudar em cima dessa questão. Mas o Brasil é um misto de coisas, não tem motivo para retirar essa origem. E o filme traz tudo isso, essa particularidade de cada um. Isso é muito interessante. Gostaria de ouvir, inclusive, a publicidade e o jornalismo também trazendo sotaques de diferentes regiões", concluiu o ator. 

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