CINEMA
21/06/2021, 18:40

"A Última Floresta" é premiado no 71º Festival de Berlim

O filme "A Última Floresta", dirigido por Luiz Bolognesi ("Ex-Pajé") e produzido pela Gullane e Buriti Filmes em associação com a Hutukara Associação Yanomami e o Instituto Socioambiental (ISA), venceu o prêmio do público na mostra Panorama no 71º Festival de Berlim. Esta é a terceira vez que a Gullane é premiada no festival – em 2018, "Ex-Pajé" venceu o prêmio especial do Júri Oficial de Documentários da Mostra Panorama – e a segunda vez que vence a categoria Audience Award, também conquistada pelo filme "Que Horas Ela Volta?", de Anna Muylaert, em 2015. O Panorama Audience Award acontece desde 1999. Este ano, a mostra Panorama apresentou 16 longas-metragens, sendo "A Última Floresta" o único representante brasileiro. Luiz Bolognesi assina o roteiro do filme ao lado do xamã e líder político Yanomami Davi Kopenawa. 

De Berlim, onde foi acompanhar as sessões presenciais do filme na edição Summer Special (em março, a primeira fase do festival foi online), o diretor afirmou: "Esse prêmio é muito importante não só para nós que fizemos o filme, mas para o cinema brasileiro – que fez aniversário nesse dia 19, – e sobretudo para a imagem dos povos indígenas, dos povos Yanomami, que estão sob ataque nesse momento, lutando contra uma invasão de mais de 20 mil garimpeiros ao seu território. É fundamental que a imagem do filme rode os países e o planeta para que a gente possa fazer pressão para a retirada desses invasores ilegais tanto das terras dos Yanomamis como das terras dos Munduruku. Esse prêmio significa que o mundo está de olho e eu espero que o governo brasileiro cumpra a constituição e retire esses invasores da terra legalmente constituída e de direito dos Yanomami. É urgente que a gente pare o genocídio indígena imediatamente". 

O produtor Fabiano Gullane, que assina a produção ao lado de Caio Gullane e da Buriti Filmes (de Laís Bodanzky e Luiz Bolognesi), também comentou a premiação: "São projetos com grande articulação internacional que só reforçam um dos valores da Gullane, que é incentivar o mercado audiovisual brasileiro e a exportação de conteúdos brasileiros para o mundo. É uma grande conquista para o nosso audiovisual em um momento de tanta tristeza no nosso país". 

Em junho, "A Última Floresta" também conquistou o prêmio de Melhor Filme no 18º Seoul Eco Film Festival, na Coreia do Sul, e foi exibido no DocsBarcelona – Festival Internacional de Documentários, na Espanha. Em maio, esteve no Wairoa Maori Film Festival, na Nova Zelândia, e, em junho, no Biografilm Festival, na Itália. No Brasil, teve sessões no Festival Pachamama em maio e em junho, no Festival Internacional Imagem dos Povos e na Mostra Ecofalante de Cinema, durante a Semana do Meio Ambiente. A primeira sessão no Brasil ocorreu no 26º É Tudo Verdade – Festival Internacional de Documentários 2021. O longa também foi exibido nos festivais Visions du Réel, na Suíça, e no Hot Docs, no Canadá. 

"A Última Floresta" retrata o cotidiano de um grupo Yanomami isolado, que vive em um território ao norte do Brasil e ao sul da Venezuela há mais de mil anos. O xamã Davi Kopenawa Yanomami busca proteger as tradições de sua comunidade e contá-las para o homem branco que, segundo ele, nunca os viu, nem os ouviu. Enquanto Kopenawa tenta manter vivos os espíritos da floresta, ele e os demais indígenas lutam para que a lei seja cumprida e os invasores do garimpo retirados do território legalmente demarcado. Mais de 10 mil garimpeiros ilegais, que invadiram o local em 2020, derrubam a floresta, envenenam os rios e espalham Covid e outras doenças entre os indígenas. Com distribuição da Gullane, a estreia do filme no Brasil está prevista para 2021.

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