MERCADO
21/06/2022, 22:01

Na América Latina, 74% dos lares conectados assinam SVOD; FVOD e AVOD já chega a 67%

As plataformas de streaming por assinatura estão em 74% dos lares com Internet fixa nos principais mercados da América Latina – são, em média, 2,6 plataformas SVOD por domicílio. Em segundo lugar, aparecem as plataformas gratuitas (FVOD & AVOD), que são utilizadas por 67% dos latino-americanos. Já 11% acessam plataformas gratuitas sem anúncios e 29%, plataformas ilegais. Os dados estão contidos no relatório BB Book 2022: Plataformas de Streaming e Televisão, da consultoria BB Media.

A pesquisa conclui que, embora o mercado ainda tenha espaço para crescer, a penetração está aumentando e a margem de crescimento está diminuindo. Ainda entre os domicílios com Internet fixa, observa-se que 87% já consomem filmes, séries ou eventos online. 

Entre outras questões, o material analisou o consumo de conteúdo online pelos latino-americanos, incluindo seus modelos de plataformas preferidos e os serviços mais assinados; os players com mais usuários; as produções originais como possível diferencial; os países que mais produzem conteúdo e os impactos da pirataria no setor. O consumo de TV também foi analisado – nesse sentido, o estudo avaliou os gêneros principais dos canais, a penetração dos serviços, a digitalização e também os efeitos do consumo pirata.

A análise parte do dado de que o ano de 2022 encontra mais de 74 milhões de domicílios com Internet que consomem conteúdo online na América Latina, considerando Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, México, Peru e Uruguai. Atualmente, os millennials são a geração que mais consome conteúdo online: 89% deles o fazem.

O comparativo entre 2020 e 2021 revela que, de fato, as porcentagens de adoção de cada tipo de plataforma não estão mudando muito: SVOD foi de 72% para 74%; AVOD & FVOD mantiveram o índice em 69%; TV Everywhere caiu, de 41% para 39%, assim como TVOD, de 24% para 11%, em uma queda bastante expressiva, de mais de 10 pontos percentuais. O consumo de plataformas ilegais manteve-se alto e estável em 29%. 

Lançamento de OTTs

No início de 2022, foram registradas 228 plataformas ativas em 18 países de América Latina: 59 pertencem às operadoras de TV paga, 83 a programadoras e 86 a outras empresas. A tendência é que o mercado siga presenciando alianças, aquisições e fusões à mercê das tendências de audiência. 

Atualmente, mais de 100 plataformas disponíveis são SVOD – porém, aponta a BB Media, esse modelo de negócio só é lucrativo para os líderes de mercado. O dinheiro dos lares latino-americanos é limitado e eles não costumam contratar tantos serviços. É aqui que as plataformas AVOD entram em cena. 

Líder na região

Dentre os lares com Internet que assistem conteúdos online, a maioria ainda utiliza Netflix para acessar filmes e séries, apesar de todas as recentes notícias da queda do número de assinantes e demais crises na empresa. De todos os usuários da plataforma SVOD, nove em cada dez lares consomem Netflix. Ao observar a presença por país, constatou-se que a penetração é maior na Argentina, onde 93% acessam o serviço, seguido por Chile (92%) e Colômbia (90%). E o que os usuários latino-americanos da plataforma mais valorizam no serviço são as séries disponíveis e, em segundo lugar, a facilidade de navegação. A Netflix continua sendo a plataforma mais assistida, chegando a 7h40 semanais, em média. 

Falando apenas de SVOD, depois da Netflix, as plataformas preferidas dos usuários são Prime Video (16%) e Disney+ (10%), com "outras" representando 44%. Em relação à TV Everywhere, o destaque é para Claro Video (10%), AXN (6%) e HBO Max (5%). Em TVOD, as preferidas são Google Play (48%), iTunes (33%) e Cinépolis Klic (13%). Por fim, em AVOD destacam-se YouTube (39%), Pluto TV (8%) e SBT (7%). 

Produções originais

A concorrência no setor está se intensificando e o conteúdo continua sendo o principal diferencial para atrair e reter usuários. Para continuar na corrida, é importante ter capacidade financeira para investir em conteúdo de qualidade ou, então, investidores dispostos a contribuir com os projetos. Ao realizar pesquisas com usuários da Netflix na América Latina, o estudo identificou que as produções originais são uma das variáveis mais valorizadas da plataforma. Entre os principais players que oferecem originais, 80% e 90% de seus usuários valorizam positivamente. 

E falando em conteúdo original, a Netflix é a campeã, com 51% de conteúdo original, sendo 1.410 filmes e 1.333 séries. Em seguida vem a HBO Max, com 36% de conteúdo original (359 filmes e 213 séries); o Disney+, com 12% (83 filmes e 67 séries); o Star+, com 5% (quatro filmes e 35 séries); e o Prime Video, com 3% (132 filmes e 223 séries). 

Países com mais produções 

Ao analisar mais de 2,1 mil plataformas com presença global em 159 países, foram identificados mais de 501 mil filmes disponíveis e mais de 200 mil séries. Os países com maior número de produções a nível global são Estados Unidos, com 63.788 produções locais e 231.667 no total de títulos online; Reino Unido, com 13.595 produções locais e 123.939 no total de títulos online; e Canadá, com 5.747 produções locais e 118.634 no total de títulos online. Na sequência da lista estão Japão, Austrália, Alemanha, Irlanda, Argentina, França e, só então o Brasil, com 3.577 produções locais e 67.542 títulos online no total. 

Ao analisar os OTTs disponíveis exclusivamente nos Estados Unidos, o estudo revela que aqueles que possuem um catálogo com maior número de títulos são Amazon Prime Video, que inclui tanto TVOD como SVOD (+70.600 conteúdos); Google Play Movies (+48.800 conteúdos); iTunes (+44.000 conteúdos); Microsoft Movies & TV (+41.900 conteúdos); e Vudu (+41.300 conteúdos). 

A conclusão é que globalização obriga os players latino-americanos a analisar os últimos desenvolvimentos do setor e entender os gostos e preferências dos usuários de todo o mundo. Dessa forma, players locais poderão entender qual conteúdo está causando mais sucesso no mercado para melhor direcionar sua oferta de acordo com a demanda. 

Consumo de pirataria 

A pirataria ainda é um grave problema do setor. Segundo o relatório da BB, quatro em cada dez lares com Internet consomem pirataria online. Isso se agrava em países como o Equador, onde 48% dos lares conectados são piratas – ou seja, quase a metade. A Argentina é o país onde a penetração da ilegalidade é menor: 34% dos lares conectados consomem pirataria online. O Brasil está um pouco acima, com 36%, empatado com o Chile. No México e no Uruguai o consumo é um pouco menor, com 34%, no Peru o número sobe, com 41%, e a Colômbia aparece como vice-campeã no consumo de pirataria, com 45%. Em todos os países o número está acima dos 34%. 

A maior parte dos lares que acessam a conteúdos informais o fazem principalmente através de páginas web (79%). O segundo modo de acesso mais utilizado pelos domicílios para acessar conteúdos informais são as listas M3U, método utilizado por 26%. Trata-se do formato de arquivo que indexa milhares de endereços de acesso online a conteúdos ilegais. Estes costumam ser inseridos em dispositivos Android Box e box Smart TV. Atual- mente, as listas de reprodução M3U estão sendo mais utilizadas do que os torrents, que são escolhidos por 24% dos lares com Internet. Por fim, as famílias que consomem conteúdo live streaming de forma ilegal o fazem por meio de uma IPTV BOX. Sua penetração é de 45%. 

Penetração da televisão 

A BB Media mapeia 11.553 localidades na América Latina e analisa 28.689 operações de TV por assinatura na região. Ao comparar a evolução da indústria, os analistas detectaram uma diminuição no número de domicílios que acessam o serviço, de -2,7% ano-a-ano entre 2020-T3 e 2021-T3. Esse resultado é alavancado pela queda de acessos no Brasil (-11%), Venezuela (-7%) e Equador (-12%). Por outro lado, os países que mais incorporaram domicílios são Colômbia (+11%), Chile (+4%) e Bolívia (+3%). 

A penetração dos lares que acessam ao serviço é de 45%. No entanto, ao discriminar os domicílios que acessam ilegalmente e os sub-reportados pelos provedores de TV por assinatura, a penetração cai para 35%. Em relação às operadoras de televisão, Televisa (dona da IZZI Telecom, SKY México e WIZZ), América Móvil (dona da Claro e Net) e DIRECTV (inclui SKY Brasil) monopolizam o maior número de domicílios declarados (sem pirataria e sem subnotificação, isto é, que são os oficialmente declarados). 

No 3T2021, Argentina, Bolívia, Chile, México, Peru e Venezuela seguem apresentando tendência ascendente. Por outro lado, o Brasil mantém uma perda no número de domicílios com acesso à TV paga no país. Seguido de Equador, República Dominicana, Panamá e Uruguai. 

Em relação aos gêneros, foram analisados tanto canais de TV aberta quanto de TV paga e concluiu-se que variedades e novidades cresceram notavelmente em relação ao ano anterior. No ranking dos gêneros de canais com maior classificação, estão infantis, variedades, notícias, filmes, esportes, internacional, religioso, música, adultos e rádio, nesta ordem. 

Digitalização 

Oito de cada dez lares que acessam TV por assinatura têm pacote digital na América Latina. Cada vez mais domicílios estão acessando o sinal em HD – em grande parte graças à digitalização das redes, mas esse crescimento também é impulsionado pela concorrência e pelas demandas dos usuários para visualizar o conteúdo em alta definição. De acordo com a análise do Forecast, estima-se que o ano de 2021 termine com 37% dos assinantes de TV paga com pacotes HD. 

O consumo seguirá aumentando, chegando a 52% de assinantes de TV paga em 2025. Porto Rico segue destacando-se neste sentido, já que é o único país da América Latina 100% digital. 

Pirataria também na TV 

Imaginar um futuro lucrativo com televisão implica repensar estratégias para combater a pirataria. Na atualidade, mais de 19,58 milhões de lares latinos são ilegais. Do total de lares com acesso a TV paga, 14% são piratas, enquanto que 11% são sub-reportados pelas operadoras de TV paga. 

O maior número de domicílios informais que acessam o serviço de TV por assinatura estão localizados no Brasil, com 4,68 milhões; México, com 3,40 milhões; e Argentina, com 2,95 milhões. A maior penetração de domicílios informais ocorre em Nicarágua, onde 23% dos lares com TV paga se veem afetados. 

Se avaliarmos os domicílios que acessam o serviço de TV por assinatura sem pagar, podemos detectar que geram prejuízos em torno de US$ 3,43 bilhões de dólares ao ano devido à pirataria. E a subnotificação oculta aos afiliados correspondentes aos últimos 12 meses US$ 1,81 bilhões de dólares. É responsabilidade de todos proteger a indústria para alcançar um mercado mais confiável e transparente. 

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