Artigo do leitor
23/11/2020, 16:41

Maestria na estratégia de lançamento do Disney+ no Brasil

POR FLÁVIO SANTOS*

Nessa semana chegou ao Brasil o serviço Disney+ e a estratégia de seu lançamento, além de muito bem elaborada, se apoia em um elemento usado com grande maestria pela empresa, a influência.

* Flávio Santos, CEO da MField

Para falar sobre isso é preciso voltar um pouco e falar sobre como os longas-metragens da Disney já são conhecidos por usarem a influência de forma magistral. Por muitos anos os filmes das princesas da companhia foram vistos como uma diretriz educacional para a vida e conduziram uma série de pessoas a sonhar. Exatamente por isso, houve uma mudança nos filmes, que pararam de romantizar o casamento padrão normativo e começaram a investir em novos tipos de amor.

Essa mesma influência fez com que os longas precisassem investir em personagens que as pessoas pudessem se identificar, então surgiram filmes como "Encantado", em que o personagem principal é o príncipe. Moana e Tiana, duas personagens de histórias diferentes e que têm a pele negra. Detona Ralph, longa em que o grande amor é a amizade e o apoio de duas pessoas de mundos diferentes… Os lançamentos contemporâneos estão ajustados a essa nova situação, pois já é sabido por grandes marcas que, para gerar influência, é preciso primeiro gerar identificação e empatia.

Dito isso, é hora de falarmos sobre como é o planner para o lançamento da plataforma Disney+ para o mercado latino. A empresa apostou na influência e relevância para atrair a atenção e, para isso, escolheu não fazer propaganda usando seu catálogo gigante de filmes e séries e sim em dar uma "cara mais real" e agradável para a comunicação, investindo em pessoas famosas que agregam valor, identificação e empatia (não é por acaso!).

A cantora Sandy e o atleta Gabriel Medina são dois exemplos de como a Disney investiu em figuras conhecidas e com relevância para atrair atenção e influenciar consumidores. Somados, os vídeos com os dois já tem mais de 300 mil visualizações no canal da plataforma no YouTube, além de inúmeros compartilhamentos nas redes sociais.

Em um programa de quase meia hora de duração, que está disponível no canal do YouTube da plataforma de streaming, é possível ver a tática se repetindo. A apresentação fica por conta de Dani Calabresa, os números musicais exclusivos são realizados por Claudia Leitte, Jão e Sebastián Yatra. Atores como Zoe Saldaña mandam um recado em espanhol… e muito mais. Tudo pensado para aproximar e para dar rostos conhecidos a uma plataforma que ainda está se apresentando.

A Disney tem um catálogo enorme e poderia fazer sua propaganda apenas com essas imagens, mas a empresa sabe a importância de investir em uma estratégia que contemple as pessoas e seja totalmente agregadora. Nas redes sociais, aproximação de ideias e reconhecimento de propósito e cultura são igual engajamento.

Mas não para por aí…

O "DNA Disney" – o mesmo que Sandy e Medina fizeram a propaganda – é uma espécie de sistema com respostas dadas pelo usuário que gera o nome de três personagens com que a pessoa pode se parecer. A resposta é dada oferecendo versões para mandar por WhatsApp ou postar nas redes sociais, ou seja, o participante acaba por colocar em suas redes uma propaganda indireta do serviço e, consequentemente, divulga organicamente, dando um aval para a plataforma.

E aí fica a questão: se uma empresa mundial e com um reconhecimento como a Disney escolheu justamente investir na influência para lançar um novo produto, por que outras empresas não devem fazer o mesmo?

Ter um conteúdo elaborado para fazer essa conexão é o marketing de hoje e do futuro. É o caminho que as grandes empresas escolhem, por ser justamente o que melhor funciona. 

Usar influencers para apresentar algo não é mais opcional, agora é requisito básico para atingir o objetivo da forma correta.

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