Mercado
26/01/2021, 22:22

YouTube apresenta prioridades para 2021

Em carta divulgada nesta terça, 26, a CEO do YouTube, Susan Wojcicki, apresentou as prioridades da plataforma de vídeos para 2021. De acordo com ela, a receita do YouTube está saudável, apesar dos desafios de 2020. "O número de novos canais que ingressaram no nosso Programa de Parcerias do YouTube (YPP) no ano passado mais do que duplicou em relação ao ano anterior", afirmou na carta.

No topo das prioridades listada está o apoio a criadores de conteúdo e artistas. Segundo relatório da Oxford Economics mencionado na carta, o ecossistema criativo do YouTube contribuiu com aproximadamente US$ 16 bilhões para o PIB americano em 2019, apoiando o equivalente a 345 mil empregos de tempo integral.

O apoio aos criadores de conteúdo e artistas será em três áreas principais.

1: Transparência das políticas
Wojcicki reconhece que há trabalho a realizar promover conhecimento sobre as políticas do YouTube. "Nos comprometemos a fornecer mais suporte aos criadores de conteúdo nessa área em 2021. Como um lembrete, nossas políticas foram projetadas para proteger nossa comunidade do YouTube contra abuso e usuários de má fé, e para garantir que somos capazes de fazer com que os anunciantes continuem usando o YouTube para apoiar o nossos ecossistema de criadores de conteúdo. Mas reconhecemos que, na escala que operamos, é difícil para os criadores de conteúdo acompanharem as mudanças das Diretrizes da comunidade. E também sabemos que cometemos erros", diz na carta.
De acordo com ela, este ano serão feitas mudanças para ajudar os criadores de conteúdo. Algumas das medidas que serão adotadas para lidar com essas questões para a comunidade incluem: mais transparência nas políticas do YouTube, mais suporte disponível para criadores de conteúdo e melhorias no processo de contestação.

2: Fontes adicionais de receita
Os serviços de assinatura Music e Premium têm crescido rapidamente, aponta a executiva, alcançando mais de 30 milhões de membros pagos no terceiro trimestre do ano passado. "E os criadores de conteúdo e artistas estão encontrando novas maneiras de se conectar com o seu público-alvo e diversificar a receita". Segundo ela, no ano passado, o número de canais gerando grande parte da receita pelo Super Chat, Super Sticker ou Clube de Canais no YouTube triplicou.

3: Incentivo ao sucesso
Com o intuito de atender todas as comunidades, este ano o YouTube começará a pedir que os criadores de conteúdo nos EUA informem, de forma voluntária, seu sexo, orientação sexual, raça e etnia. "Essas informações vão nos ajudar a identificar falhas potenciais nos nossos sistemas que podem impactar a oportunidade do criador de conteúdo de alcançar todo o potencial dele. Ao coletarmos esses dados, poderemos analisar melhor como o conteúdo de diferentes comunidades é representado nos nossos mecanismos de pesquisa e descoberta e monetização. Essa iniciativa beneficiará toda a comunidade do YouTube, e agradecemos a parceria das comunidades de criadores de conteúdo negros, LGBTQ+ e latinos que compartilharam conosco as perspectivas deles para tornar o YouTube um espaço melhor para todos".

Preparação para o futuro

Wojcicki anunciou alguns novos recursos do YouTube em algumas áreas:
1: Criação de conteúdo para dispositivos móveis
O YouTube está investindo para oferecer aos criadores de conteúdo mais ferramentas de edição de vídeo. Na Índia, estão sendo realizados testes Beta do YouTube Shorts, para ajudar a próxima geração de criadores de conteúdo para dispositivos móveis, diminuindo as barreiras para que eles possam contar suas histórias. Até agora, os vídeos no novo player Shorts (que ajuda pessoas em todo o mundo a assistirem vídeos curtos no YouTube) estão recebendo 3,5 bilhões de visualizações diariamente. A pretensão é expandir o Shorts para mais mercados este ano.

2: E-commerce
De acordo com um estudo recente da Talk Shoppe apresentado na carta, 70% das pessoas entrevistadas disseram que compram de uma marca após terem assistido sobre ela no YouTube. Por isso, a plataforma está integrando a experiência e-commerce. "Atualmente, estamos testando um novo programa Beta com um grupo de criadores de conteúdo de beleza e equipamentos eletrônicos para ajudar as pessoas a descobrir e comprar os produtos que elas veem nos vídeos", diz. Novos recursos serão lançados este ano.

3: Living Room
Segundo a CEO, a TV foi a tela de maior crescimento para o YouTube em 2020. Por isso, têm trabalhado para melhorar a aparência e o desempenho do app Living Room. "E estamos possibilitando que os anunciantes alcancem mais consumidores e com mais facilidade onde eles estiverem assistindo. Continuaremos oferecendo o YouTube a mais dispositivos TV e tornaremos a navegação por voz ainda melhor, tudo isso para oferecer aos espectadores a experiência que eles desejam cada vez mais".

Regulamentação

Segundo a principal executiva do YouTube, há outra área que terá um foco significativo em 2021: regulamentação. Ela menciona parcerias com governos em questões como evitar o extremismo violento e operações coordenadas de influência na plataforma de vídeos. "Ano passado, essas parcerias foram incrivelmente úteis, porque trabalhamos juntos para ajudar a fornecer às pessoas informações precisas durante a pandemia. E iremos manter a parceria com os legisladores em questões que impactam nossos negócios e a força de trabalho, como imigração, educação, infraestrutura e cuidados com a saúde".

Recentemente, lembra ela, houve um debate significativo sobre a importância de uma regulamentação na lei dos Estados Unidos, chamada Seção 230, que permitiu "manter o YouTube aberto e oferecer uma grande quantidade de conteúdo na internet e também tomar as atitudes necessárias para proteger nossa plataforma". Segundo a CEO, ambos os lados do espectro político estão interessados em modificar isso, mas há uma falta de consenso sobre o que deve ser feito devido às visões totalmente opostas do problema.

A União Europeia, destaca, também introduziu recentemente a Lei dos Serviços Digitais (DSA, na sigla em inglês) que também pode ter grandes implicações no discurso online.

Responsabilidades

Susan Wojcicki diz que o YouTube está sempre trabalhando para alcançar o equilíbrio ideal entre a liberdade e a responsabilidade à medida que atende às diretrizes estabelecidas por governos. Sua abordagem, aponta a CEO, é a de remover o conteúdo que os especialistas dizem que pode levar a danos no mundo real, recomendar conteúdo confiável, reduzir as visualizações de conteúdos duvidosos e recompensar os criadores que atendem aos nossos requisitos rígidos para monetização.

"Além do nosso abrangente trabalho sobre as eleições americanas, também assumimos uma posição especialmente sólida em relação à pandemia. Nossas equipes têm consultado mais de 85 autoridades de saúde locais em todo o mundo para ajudar a conectar as pessoas a informações confiáveis sobre a COVID-19. Junto com as iniciativas dos criadores de conteúdo de divulgar as informações, estamos gerando impacto: oferecemos mais de 400 bilhões de impressões em painéis informativos relacionados à COVID-19".

Segundo Wojcicki o foco da plataforma agora está voltado para as possibilidades de vacinação. "Em outubro, aumentamos nossos esforços para remover conteúdo que inclua afirmações sobre as vacinas para a COVID-19 que sejam contrárias ao consenso de especialistas de autoridades locais de saúde. Também adicionamos um alerta apontando para fontes confiáveis na nossa página inicial e nos vídeos e pesquisas sobre vacinas".

Também serão ampliados os esforços para tornar as informações sobre saúde mais acessíveis e compreensíveis e, assim, melhorar a saúde dos usuários em todo o mundo. "Trabalharemos para ajudar a fazer uma ponte entre o sistema de saúde e as pessoas que buscam informações sobre saúde, além de manter os médicos no centro da administração da saúde. Continuaremos expandindo a quantidade de novos parceiros de saúde oferecendo informações confiáveis sobre saúde no YouTube, inclusive na Europa e na Ásia".

Ainda no tema responsabilidades o YouTube anunciou os testes de um novo filtro no YouTube Studio para comentários potencialmente inapropriados que foram retidos automaticamente para análise. Dessa forma, os criadores de conteúdo têm a opção de não ler esses comentários, uma forma de apoio ao bem-estar deles. "E por meio do Fundo de financiamento para as vozes do #YouTubeBlack, mostramos histórias importantes sobre as experiências de comunidades negras em todo o mundo com o YouTube, enfatizando o poder intelectual, a dignidade e a alegria das vozes negras e educando os espectadores sobre justiça racial. No início deste mês, anunciamos a turma de 2021 de vozes do #YouTubeBlack: 132 criadores e artistas dos Estados Unidos, Quênia, Reino Unido, Brasil, Austrália, África do Sul e Nigéria. Estamos entusiasmados em ajudar a ampliar suas histórias este ano".

Formação

Segundo estudo Ipsos apresentados pela CEO, 77% dos entrevistados informaram ter usado o YouTube durante 2020 para aprender uma nova habilidade. "Estamos apoiando criadores de conteúdo que possibilitam oportunidades econômicas ensinando habilidades do século 21, como programação, negócios e idiomas. Criadores de conteúdo como The Futur, que está ensinando 1 bilhão de pessoas a ganhar dinheiro fazendo o que elas amam".

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