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Diretora executiva argentina ministra palestra sobre “Sustentabilidade Social no Audiovisual” no FAM 2022

Na última terça-feira, 27 de setembro, Alejandra Marano, diretora executiva da Construir TV, diretora artística da Construir CINE e do ODS LAB: Laboratório Audiovisual para os Objetivos da Agenda 2030 e Mentora da Série LAB da Sanfic Industria (Santiago de Chile), esteve presente no FAM – Florianópolis Audiovisual Mercosul ministrando a palestra “Sustentabilidade Social no Audiovisual”, como parte da programação do ECM+Lab, braço de mercado do Festival. 

Alejandra iniciou sua apresentação falando do trabalho do Construir CINE – Festival Internacional de Cine Sobre el Trabajo, que tem como objetivos a descoberta e promoção de filmes relacionados com o mundo do trabalho e a promoção da produção de obras audiovisuais que considerem o trabalho como uma força de mudança na vida das pessoas e privilegiem o ponto de vista dos trabalhadores em questões sociais que afetam suas vidas, a de suas famílias e a realidade das comunidades e do planeta. O festival é realizado em Buenos Aires – Argentina, no mês de maio de cada ano, em comemoração ao Dia Internacional do Trabalho, e é organizado pela Rede Social UOCRA através da CONSTRUIR TV, o sinal de televisão da Fundação UOCRA para a Educação dos Trabalhadores da Construção, e faz parte do Global Labor Film Festival. “A curadoria passa pela busca por histórias que tragam também o trabalho como uma questão aspiracional. São histórias humanas, sociais, que geram impacto positivo e trazem uma reflexão. Aceitamos qualquer formato, a única exigência é que as obras tenham o trabalhador como protagonista, passando por seus sonhos, seu entorno familiar, entre outros pontos”, explicou Alejandra. 

Ela também está à frente do ODS LAB, projeto que apoia histórias ibero-americanas em estágio avançado de desenvolvimento, narradas em qualquer gênero audiovisual, visando gerar um impacto positivo na sociedade e abordar um ou mais dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030. A segunda edição aconteceu de 26 a 31 de maio de 2022, de forma online. Os projetos selecionados participaram de mentorias específicas da área audiovisual, comandadas pela FADU-UBA, e por tutorias temáticas, relacionadas às questões abordadas nas produções – tais como trabalho infantil e desigualdade de gênero, por exemplo -, que estiveram a cargo de especialistas do Escritório Argentino da Organização Internacional do Trabalho, da Plataforma Argentina para o Monitoramento da Agenda 2030 e seus aliados. O LAB culminou em uma sessão de Final Pitch na qual os criadores tiveram a oportunidade de apresentarem seus projetos diante de players da indústria audiovisual.

Sustentabilidade Social 

Ambos os projetos são exemplos de como o mercado audiovisual pode atuar com sustentabilidade social na prática. “Faço o convite a pensarmos em alguns conceitos sociais e analisarmos como podemos incorpora-los tanto especificamente nos projetos com os quais estamos trabalhando quanto no dia a dia da nossa atividade. O trabalho começa no momento em que elegemos que histórias iremos contar. Em qualquer que seja a trama é possível incluir esse viés social, relacionado à Agenda 2030. É uma questão de pensar na amplitude. São temas que afetam a todos”, pontuou Alejandra. Entre esses temas, ela citou saúde, justiça, trabalho decente, paz e bem-estar, educação de qualidade, igualdade de gênero e o fim da fome e a erradicação da pobreza. E destrinchando as temáticas mais afundo, ela falou sobre trabalho infantil, violência de gênero, desastres naturais, conflitos armados, migração forçada, trabalho escravo e desperdício de alimentos.

A especialista detalhou sobre quais conceitos os profissionais do audiovisual podem pensar, promover e aplicar a fim de fazer a sua parte nesse desafio de promover uma atividade mais justa. 

Entre eles, está o trabalho decente, que passa por levar em consideração as aspirações das pessoas, a perspectiva de desenvolvimento pessoal e integração social, a liberdade que elas têm no ambiente de trabalho para expressar opiniões, as oportunidades iguais para homens e mulheres, segurança e proteção social. “O que estamos fazendo para dar oportunidades para minorias? Não só de contratação, mas de capacitação também. Porque não basta ter as minorias nas equipes, elas também precisam estar em cargos importantes. Para isso, precisamos investir no aprendizado. Dedicar parte do nosso tempo a ensinar essas pessoas para que elas possam competir em condições de igualdade. É necessário termos certeza que as pessoas que trabalham conosco continuam aprendendo e se capacitando ao longo do tempo”, destacou. 

Nesse sentido, ela também enfatizou a diversidade de gêneros nas equipes, a importância de dar oportunidades as pessoas com deficiência e também aos mais velhos. 

E para além de pensar em condições de trabalho justas nas equipes, é importante também avaliar quais são os fornecedores contratados, a fim de investigar se eles não estão envolvidos em cadeias produtivas de trabalho infantil e escravo, por exemplo. “É algo muito comum na indústria têxtil, com a qual trabalhamos diretamente, é muitas vezes não paramos pra pensar a respeito, não pesquisamos”, alertou Alejandra. 

A diretora ainda chamou a atenção para o respeito e a inclusão com as comunidades que são retratadas nas obras audiovisuais – envolvendo-as no processo desde cedo – e com as quais nos relacionamos – antes, durante e depois do trabalho. “Estamos retratando de maneira justa essa comunidade ou simplesmente multiplicando e repetindo estereótipos?”, são questões que ela levantou. 

Distintas formas de aplicação no audiovisual 

Os conceitos de sustentabilidade social podem ser aplicados em diferentes etapas da atividade audiovisual. Na produção e na metodologia de trabalho, por exemplo, passa pela contratação de pessoal, serviços e talentos. Na narrativa, por projetos com impacto social, diretamente associado às temáticas sociais; evitar preconceitos e deixar sempre claro do ponto de vista de quem a história está sendo contada; pensar em campanhas de impacto para que a história possa ter resultados efetivos, modificando pensamentos, atitudes e até influenciar leis, sociedade e cultura. E nos projetos em geral, por incluir os temas de forma orgânica e dialogar com laboratórios de temática social, que podem oferecer consultorias e assessoria a fim de cumprir esse objetivo de abordar os assuntos de maneira mais natural e respeitosa. “É trabalho de todos difundir e colocar em prática todos esses pontos”, declarou Alejandra. 

Como exemplos de obras que cumprem tudo isso sem “perder” a audiência, ela citou “La Botera”, de Sabrina Blanco (2019); “The Act of Killing”, de Joshua Oppenheirner e Christine Cynn (2012); e “Crímines de Familia”, de Sebastián Schindel (2020) – este último, contou com assessoria direta da ONU Mulheres. 

Por fim, Alejandra elencou algumas perguntas que devem ser feitas diante de cada novo projeto e no dia a dia do trabalho audiovisual também. Entre elas, estão: “Estamos sendo suficientemente inclusivos na frente e atrás das câmeras? Nossas narrativas incluem de maneira orgânica temas sociais relevantes? Prestamos atenção na cadeia de suprimentos e serviços que utilizamos? Damos oportunidades aos jovens em práticas rentáveis e úteis para seu desenvolvimento pessoal e profissional, dando mentorias, ajudando e transmitindo conhecimento? Atualizamos nossa equipe ao longo de sua vida, acompanhando os profissionais até as idades mais avançadas? Estamos fazendo tudo o possível para não deixar nada nem ninguém para trás?”.

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