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Telecine divulga estudo que relaciona emoções com os gêneros de filmes escolhidos para assistir

Durante o II Encontro de Ideias Audiovisuais, programação que acontece em paralelo à 46ª Mostra de Cinema de São Paulo, o Telecine apresentou a pesquisa inédita Gêneros e Emoções, feita em parceria com o Coletivo Tsuru. O estudo traz um panorama de como os novos hábitos de consumo das pessoas são permeados pelas emoções na hora da escolha do título e do gênero de um conteúdo, inspiradas em cada vez mais viver momentos leves e de distração. O estudo foi apresentado por Daniela Evelyn, à frente da área de Inteligência de Mercado do Telecine.

Foram duas etapas: a qualitativa, que envolveu oito grupos online, com seis pessoas, além de três entrevistas com especialistas – Sérgio Rizzo, Karoline Maia e Sandra Kogut; e a quantitativa, com 1452 pessoas, de 18 a 65 anos, das classes A, B e C, homens e mulheres, todos com acesso à internet. 

Foi identificado que, basicamente, as pessoas assistem aos conteúdos audiovisuais para “sentir alguma coisa”. Dentre esses sentimentos, foram elaborados quatro eixos diferentes: “Complementariedade / Evolutiva”, em que o conteúdo vai além de complementar o que a pessoa está sentindo no momento e passa a expandir esse sentimento, abrindo espaço para mais emoções até desconhecidas; “Contemplação / Expiar”, onde mais do que relaxamento e leveza, o desejo é de assistir conteúdo para se desconectar completamente da realidade, de um modo quase hipnótico; “Alternância / Catártica”, buscando sair de emoções muito negativas para muito positivas; e “Elaborar / Imersão”, que é aquele conteúdo que faz pensar, repensar, elaborar coisas, de um modo quase que imerso. 

O estudo parte do ponto de que o contexto impacta nas emoções que sentimos e nas emoções que queremos sentir – e que nós desejamos ter controle sobre isso, como na hora de escolher um filme, por exemplo. “Identificamos que pairam no ar, no momento, emoções negativas. Elas foram chamadas de ‘medo real’, ‘exaustão’, sensação de ‘tudo indo’, ao mesmo tempo que existe a impressão de que, após a pandemia, ‘não há mais tempo a perder’, do ‘imediatismo’. Muitas ainda chamaram o sentimento que têm hoje de ‘cobertor e sofá’, resumindo as sensações. Esse é o contexto macro. No contexto micro, vimos que as emoções positivas viraram coisas menores, dentro de casa, como um tempo pra si mesmo ou com a família”, pontuou Maeda Camarcio, líder do Coletivo Tsuru. “As pessoas estão com um desejo de controle absurdo, a fim de garantir um mínimo de conforto e aconchego na vida cotidiana. Esse controle está mais ligado a tempo e emoções, no sentido de ‘se eu não consigo controlar o que eu vou sentir, quando eu vou assistir a um conteúdo eu quero controlar, sim. É ruim quando sentimos algo muito diferente do que estávamos esperando sentir ao ver um filme ou uma série”, completou. 

Como as pessoas escolhem filmes? 

Segundo o estudo, a principal porta de entrada ainda é o gênero. Mas logo depois aparecem o “mood”, isto é, a emoção que você está sentindo no dia e que quer continuar sentindo, aí escolhe um título que vá te proporcionar isso; e o “buzz”, onde entram os fatos de o filme estar sendo muito comentado, recomendações de amigos, indicação nas redes sociais e de influenciadores e críticos. “Uma indicação de um amigo traz outras camadas de informação para além do gênero. Esse é o que chamamos de ‘spoiler emocional’, que é importante nesse sentido do controle das emoções. Um amigo vai te dizer se o filme vai te fazer chorar, rir, se emocionar. São mais informações do que só o gênero do filme entrega. O consumidor não quer spoiler da história; mas do que ela vai fazê-lo sentir, sim”, disse Maeda. 

Filmes são histórias com começo, meio e fim e que possibilitam o prazer de um desfecho, uma conclusão, ao contrário das séries. E isso é importante para o consumidor: 84% concordam que filmes permitem prever o tempo que será gasto nessa atividade, sendo assim uma vantagem do formato. Para a maioria, é melhor gastar o tempo livre vendo filme porque você sabe quanto tempo vai durar, pode se programar. 

O eixo de conteúdo mais procurado – por três em cada quatro consumidores – contém gêneros ligados à adrenalina, que também são os mais ofertados nos últimos tempos. “Fica a pergunta se este interesse vem da oferta, que acaba moldando o mercado, ou o contrário. As pessoas querem ver outros gêneros, identificamos esse desejo, mas a sensação que deu é que elas não encontram”, explicou. O estudo revelou, por exemplo, que 47% procuram por mais conteúdos de amor; 31% por mais “cult”, 27% por mais drama; 29% por mais desenhos; 13% por mais conteúdos LGBTQIA+. “Tem a questão do contexto também. Existe uma sede de fantasia, de ficção, porque a vida real já está muito dura. Temos notado o sucesso nesse tipo de conteúdo por isso também. O que não significa que as pessoas não querem acessar outras emoções. Mas elas estão com dificuldades nesse sentido”, reforçou. 

Segmentos e aderência aos gêneros 

De acordo com a pesquisa, pessoas de “mood” mais negativos proporcionalmente buscam mais gêneros relax, medo e adrenalina da ficção e dos super-heróis, isto é, mais emoção. Já os de “mood” mais positivo buscam mais obras baseadas, filmes nacionais e a adrenalina dos filmes de aventura. O mais positivo tende a se pautar mais pelo amor. 

Consumidores apontaram quais gêneros mais associavam a cada experiência desejada. Alguns gêneros estão muito associados a experiências específicas: por exemplo, romance e comédia romântica são as escolhas de quem quer “sonhar com amor”. Já quem quer ver algo que fale do hoje, conectado ao que estamos vivendo agora, opta por filmes nacionais. Filmes LGBTQIA+ são escolhidos por quem afirma que quer “fugir da realidade”, “entrar em outro mundo”. Comédias sugerem uma experiência com a família; Obras baseadas inspiram; e dramas geram a expectativa de “filmaço”, com alta qualidade de som e imagem. 

Terror e suspense sugerem que serão fortes emoções, com muito susto. O eixo da adrenalina é o mais variado – segundo o estudo, quem escolhe conteúdos de ação/aventura quer sentir saudade do passado, com segurança de que vai sentir o que quer, e tem ainda a segurança de que vai ser um filme bom e algo que se mantém atual, que nunca fica velho. Já os filmes de super-herói são identificados por alta qualidade de som e imagem, fuga da realidade, uma boa experiência. Os de ficção científica foram pontuados por fortes emoções – muita risada, muito choro, muito susto -, mergulho de cabeça na história e aconchego. Por fim, os desenhos indicam momentos em família, nostalgia e relaxamento. 

“Filmes falam por nós, nos colocam como protagonistas imaginários de histórias que poderiam ser nossas ou nos arrancam, mesmo que temporariamente, das nossas próprias histórias, nos emprestando novas peles, novas lentes e perspectivas. Acendem a centelha das possibilidades, inspiração, criatividade, esperança e alegria, nos ajudando a transcender ou simplesmente desconectar das durezas e desafios cotidianos, acessar e recriar novas realidades possíveis”, concluiu o estudo. 

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