Patrocínio

Globo acelera projeto para ser mediatech

Rapidez. Essa é a palavra que define o ano emblemático na história da TV Globo, com tudo acontecendo ao mesmo tempo, dentro do objetivo do Grupo, há tempos vocacionando se tornar uma "mediatech".  Neste 2020, a principal rede de TV do País, que encabeça o maior grupo de comunicação da América Latina e (a depender da cotação do dólar) por vezes se insere no seleto ranking das cinco maiores emissoras privadas de TV aberta do mundo, tem seus processos de transformação acelerados como nunca se viu ao longo de suas mais de cinco décadas de existência.

"Nossos canais lineares falam com mais de 100 milhões de pessoas todos os dias no Brasil, o que demonstra a enorme relevância da televisão como a conhecemos, mas o conceito do que é televisão está se ampliando com rapidez", diz Jorge Nóbrega, presidente executivo do Grupo Globo.

"Nossos canais lineares falam com mais de 100 milhões de pessoas todos os dias no Brasil, o que demonstra a enorme relevância da televisão como a conhecemos, mas o conceito do que é televisão está se ampliando com rapidez", afirma Jorge Nóbrega, há 23 anos em funções estratégicas no conglomerado quase centenário da família Marinho e hoje presidente executivo do Grupo Globo. O novo organograma da empresa unificada foi formalizado em janeiro deste ano, consolidando o projeto de reformulação interna batizado de "Uma Só Globo".

Para o presidente executivo, a evolução tecnológica traz mais ganhos ainda para o conceito: "Nos próximos cinco anos, com a maior disponibilidade de banda larga e um parque de aparelhos de TV digitais conectadas, veremos também a evolução da chamada 'TV híbrida', que vai permitir a recepção de conteúdos pela banda larga e por sinal de radiodifusão, e que haja uma transição fluida e imperceptível entre broadcast e internet."

Para ele, as perspectivas melhoram ainda mais, caso se considere um horizonte de dez anos, quando se acrescentam a tecnologia 5G, a inteligência artificial e a Internet das Coisas que, nas suas palavras, "vão viabilizar aplicações muito mais complexas e avanços em realidade virtual e realidade aumentada, afetando diretamente a experiência de consumo de mídia. E é provável que a gente continue a chamar tudo isso de televisão", afirma Nóbrega.

Aos 55 anos e impactada como todo o mercado pelos efeitos da pandemia, a Rede Globo de Televisão segue hoje impressionando pelos seus números como líder de audiência, líder do mercado de publicidade, sob qualquer que seja o prisma. Mais de 90% da programação são compostos de produção original, o que faz dela a empresa que mais absorve no país artistas, autores, jornalistas e produtores.  Atualmente, a Globo conta com aproximadamente 13 mil funcionários. Os novos tempos de queda do mercado publicitário e da economia, no entanto, já se fizeram refletir no seu estrelado casting e desde 2019 vários artistas que tinham salário fixo na casa vêm sendo dispensados, passando a atuar por projeto específico de trabalho.

Em 2019, o faturamento total do Grupo foi de R$ 15,9 bilhões, com um lucro líquido de cerca de R$ 750 milhões, o menor dos últimos anos (veja quadro). O volume faturado pela TV o ano passado foi de R$ 9,7 bilhões, uma queda de 3,8% em relação a 2018.

Lucro líquido da Globo em bilhões de reais.

Jorge Nóbrega diz que a força da TV aberta continua muito grande, graças à sua capacidade de ser local, regional e nacional ao mesmo tempo, fruto, no caso da Globo, de uma excelente rede de afiliadas parceiras que cobre todo o País: "Eu acredito que essa relevância vai se manter por muito tempo, seja pela qualidade, gratuidade e alcance da nossa TV aberta, seja pela importância do 'ao vivo' e da experiência coletiva no jornalismo, no esporte e, em grande parte, nas novelas".

Jornalismo, ao vivo e novelas

No jornalismo, neste período da pandemia, a Globo chegou a dedicar 11h diárias seguidas ao gênero, num esforço de cobertura da crise de saúde que imediatamente refletiu em aumento de seus índices de audiência.

No período da pandemia, a Globo chegou a dedicar 11h diárias seguidas ao gênero.

No ao vivo, sua programação de entretenimento também se reforça e amplifica-se com o cross nos meios digitais. Neste ano, por exemplo, o reality show "Big Brother Brasil", bateu o recorde de votação alcançado por um programa de televisão, alcançando 1,5 bilhão de votos do público no seu site oficia por uma votação realizada em março.

No esporte, a emissora de uma forma inédita se viu sem alguns grandes eventos esportivos, seja por motivos externos à sua vontade – com o adiamento da Olimpíada de Tokyo e a rescisão de direitos de futebol (Campeonato Carioca) -, seja por tentativas fracassadas de renegociação, como foi o caso da desistência da Copa Libertadores. Para o próximo ano, também a emissora abriu mão de transmitir o circuito de Fórmula 1, após quase 40 anos de renovações.

As telenovelas seguem na liderança de audiência, mesmo no caso de reprises.

As novelas, mesmo com a paralisação das gravações desde março e com retomada em setembro, seguem como o grande trunfo em produção de conteúdo da casa. Dez anos atrás, quando estreava o canal Viva dedicado primordialmente às reprises de telenovelas, a Globo enfrentou o dilema de sofrer grande concorrência de audiência dentro da própria casa. Hoje, o medo do "fogo amigo" já não é mais um problema, e sim uma solução, pois a iniciativa não apenas se mostrou uma tacada de sucesso, como desencadeou todo um conceito de construção de portfólio a partir deste filão sem concorrência em termos de quantidade e qualidade no mercado nacional. As telenovelas seguem na liderança de audiência, mesmo no caso de reprises, seja no horário vespertino, ou até no horário nobre, como ficou mostrado durante a pandemia. Já o canal Viva segue entre os mais assistidos no ranking da TV por assinatura e, no streaming, as telenovelas se tornaram um forte alavancador do Globoplay. Tanto que o serviço passou a oferecer também títulos do acervo em VOD, disponibilizando agora um prato completo para os consumidores de teledramaturgia. 

Streaming

A estratégia para o Globoplay, aliás, foi anunciada de forma impactante, com novidades no serviço iniciadas neste mês de setembro que alteram drasticamente a configuração do mercado como era conhecido até então. O Grupo usa agora seus conteúdos proprietários como principal arma para enfrentar no mercado nacional as gigantes globais do streaming como Netflix, Amazon e a chegada da Disney+ em breve. Assim, uniu em pacote o conteúdo próprio das empresas Globo, em todos os seus canais criados para a TV por assinatura, além do próprio sinal da TV Globo aberta. Os canais que entram nessa nova assinatura Globoplay, além da TV Globo em streaming, são:  Multishow, Globonews, Sportv 1, Sportv 2, Sportv 3, GNT, Viva, Gloob, Gloobinho, Off, Bis, Mais Globosat, Megapix, Universal TV, Studio Univeral, SYFY, Canal Brasil e Futura.

"Arcanjo Renegado" é um dos conteúdos originais produzidos ara a Globoplay.

Jorge Nóbrega diz ser inegável que, por causa do avanço digital, a maneira como se consome mídia esteja evoluindo e o entendimento do que é televisão se amplie. "Hoje, quando a gente fala em TV, não estamos mais necessariamente falando de um tipo de receptor e nem de uma forma de distribuição de sinal. O consumidor pode ditar qual é a experiência que ele quer ter com a televisão: TV na tela grande ou no celular, ao vivo, linear ou sob demanda, pelo cabo, pela internet ou pelo sinal de radiodifusão".

Segundo o presidente executivo do Grupo Globo, para oferecer uma experiência completa, as empresas de mídia precisam conjugar a capacidade de produzir conteúdo de qualidade com a expertise tecnológica, que permite a distribuição por várias plataformas e capacidade de atender cada consumidor no seu contexto de consumo. "A partir do profundo conhecimento do público, vindo dos dados gerados por nosso relacionamento com ele, seremos capazes de entregar experiências únicas para cada um e de sermos mais assertivos em nossas ofertas de conteúdo, de publicidade e de serviços."

O Globoplay já se vende como a maior plataforma brasileira de streaming. Foram 840 títulos publicados em 2019 e cerca de 115 milhões de horas de consumo por mês, entre conteúdos originais Globo e do mercado audiovisual independente, além de filmes e séries internacionais.

"Por isso falamos tanto nos últimos anos sobre a Globo se tornar uma mediatech, isto é, uma empresa onde a tecnologia é um dos pilares principais de sustentação. Isto é o que vai nos permitir continuar criando as experiências que as pessoas esperam, mas de formas diferentes. Do coletivo ao individual", afirma Nóbrega, para quem tudo isso vai conviver conjuntamente.

Ao mesmo tempo em que anunciou as novidades, o Globoplay também divulgou sua posição no ramo das TVs conectadas, onde já se apresenta em dez marcas de TVs, com 20 sistemas operacionais que rodam em mais de 1800 modelos. O serviço estabeleceu acordos específicos com alguns fabricantes para ter o Globoplay nativo nos sistemas operacionais dos televisores e, em alguns casos, acesso direto pelo controle remoto. 

Produção

A TV Globo produz cerca de 3 mil horas de entretenimento e 3 mil horas de jornalismo por ano. Sua cobertura é de 98,6% do território brasileiro, atingindo 99,6% da população. A rede conta com 122 afiliadas espalhadas pelo país. No ano passado, a emissora ampliou mais ainda sua capacidade de produção, com a inauguração de mais um estúdio no seu complexo em Jacarepaguá, o ex-Projac, que agora atende por Estúdios Globo.

Iniciada pelo jornalismo e cobertura de esportes, alguns anos atrás, a integração na produção dos conteúdos da emissora-mãe e dos demais canais segue também na linha de shows e dramaturgia. Assim, o que se tem visto é que alguns programas inéditos estreiam primeiramente nas plataformas pagas (streaming e TV por assinatura), seguindo depois para a TV aberta (seriados no Globoplay, linha de shows no Multishow e GNT, por exemplo).

Veja também

Para produtoras, meio tem de flexibilizar formatos

Assim como os anunciantes, produtoras audiovisuais também enxergam de forma positiva o papel da TV aberta na...

A relevância comercial da TV na pandemia

Kantar Ibope Media acusou no primeiro semestre o aumento de 1h30 na média diária de horas assistidas pelo brasileiro, que já era alta, de 6h17 minutos.

Mercado publicitário aposta no cruzamento da TV com o digital

Profissionais de mídia das agências de publicidade e marcas anunciantes trabalham com o melhor dos dois mundos.

Para Kantar Ibope, TV ganhou novo significado

"O consumo de mídia e a forma como ela é consumida demonstra que o consumidor está cada vez mais multiconectado, com consumo cross media", diz a CEO, Melissa Vogel.