Arte 1 estreia documentário exclusivo em homenagem ao centenário de José Saramago

O Arte1 exibe nesta quarta-feira, dia 14 de dezembro, às 23h, o documentário "José Saramago: 100 Anos de um Contemporâneo". A produção exclusiva do canal homenageia o centenário do autor com artistas que refletem sobre a formação e a atualidade da obra do único escritor da língua portuguesa premiado com o Nobel de Literatura.

A filha de Saramago, Violante Saramago Matos (foto), que também seguiu a carreira de escritora, ressaltou a importância da origem e da persistência do pai para moldarem sua visão social e seu sucesso, iniciado ao final dos anos 1970, quando ele estava próximo dos 60 anos de idade e decidiu se dedicar apenas à escrita. 

Escrita esta que Saramago construiu de forma única, desconsertando até mesmo escritores, como disseram ao documentário Ignácio de Loyola Brandão (Prêmio Jabuti 2008 e membro da Academia Paulista de Letras) e Andréa del Fuego(Prêmio José Saramago 2011). O autor português reinventou a pontuação e mesclou os discursos direto e indireto de suas personagens, o que foi inaugurado no livro "Levantado do Chão". Lançada em 1980, a obra é fruto do contato direto de José Saramago com camponeses sem-terra da região do Alentejo, em Portugal, de onde o autor importou sua oralidade original e disruptiva.

O engajamento de Saramago fez com que Sebastião Salgado o convidasse, em 1997, para participar de seu livro de fotografias Terra", que trazia um CD de músicas do cantor e compositor Chico Buarque e teve o prefácio assinado por José Saramago. Em "José Saramago: 100 Anos de um Contemporâneo", o fotógrafo brasileiro relembrou as correspondências com o escritor, assim como fez a dramaturga Maria Adelaide Amaral, responsável por adaptar "O Evangelho segundo Jesus Cristo" para o teatro. 

Obra fundamental de Saramago, "Ensaio sobre a Cegueira" foi considerada a mais perene e contemporânea pelo escritor moçambicano Mia Couto (Prêmio Camões 2013 e Prêmio Neustadt 2014). Couto reforçou também o papel de vanguarda de Saramago ao realocar positivamente a língua portuguesa na literatura mundial e considerou os livros do autor importantes agentes formadores da sociedade, opinião compartilhada por José Luís Peixoto, o mais jovem escritor vencedor do Prêmio José Saramago. 

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