TIM conclui compra da Atimus e cogita não entrar no leilão de 2,5 GHz

O grupo TIM de telecomunicações cogita usar os ganhos em qualidade de rede que terá com a aquisição da Atimus, antiga divisão de telecom do grupo AES, para evitar investimentos de curto prazo na tecnologia de quarta geração (4G).

Com a empreitada, o grupo terá capacidade de atender a oito milhões de residências e 550 mil empresas em 21 cidades nos estados do Rio de Janeiro e de São Paulo.

A conclusão do negócio aconteceu ontem, quando foram pagos R$ 1,5 bilhão à companhia de energia elétrica pela empresa com ativos que incluem 5,5 quilômetros de cabos de fibra óptica entre São Paulo e Rio de Janeiro. Assim, a Atimus passará a se chamar TIM Fiber.  “Com as fibras podemos chegar à qualidade próxima a oferecida com o LTE e poupar investimentos em 4G”, afirma Rogério Takayanagi, principal executivo da estratégia de ofertas residenciais da empresa.

Está nos planos da TIM interligar a nova rede de fibras ópticas às suas antenas. A medida serve para aumentar a capacidade da operadora de telecom de oferecer planos de dados mais robustos e com menor custo ao usuário final.

O presidente da operadora, Luca Luciani, aproveitou a teleconferência de apresentação dos resultados financeiros da empresa para alfinetar o leilão de 2,5 GHz, previsto para abril do próximo ano. “Nem sei se vai acontecer, mas quando estiver próximo, vamos decidir sobre a nossa participação”.

Com redes mais robustas, o grupo aposta no alto nível de frustração do consumidor de brasileiro com os serviços prestados pelas concessionárias do setor para alavancar seu negócio de banda larga, tanto no mercado corporativo, quanto no residencial. “Queremos atuar nesta insatisfação com a chegada da rede da Atimus”, afirma Luciani.

De acordo com o executivo, a nova rede, além de incrementar o potencial de negócios da operadora, impactando positivamente nos resultados nos próximos trimestres, aliviará a necessidade de novos investimentos. “Vamos economizar R$ 1 bilhão em CAPEX ao longo de três anos”, diz. 

Análise

É difícil crer que a TIM não participará do leilão de 2,5 GHz. A própria operadora reclamava da iminente falta de espectro um ano atrás. Vale lembrar que a designação dessa faixa para serviços móveis, retirada das mãos das operadoras de MMDS, foi uma vitória das teles, conquistada após uma longa queda de braço entre os dois setores junto ao governo e à Anatel.

Todos grandes grupos de telefonia móvel do mundo participam dos leilões de espectro necessários para sua evolução tecnológica. Inclusive, esses mesmos leilões geralmente são desenhados de forma que todos (ou quase todos) os grandes grupos presentes em um país possam comprar uma licença nova. É como dizem por aí: espectro é o oxigênio das operadoras móveis. Elas não vivem sem.

As declarações do presidente da TIM devem ser analisadas em conjunto com aquelas dadas recentemente pelo presidente da Vivo, que pede a combinação de preço com metas de cobertura. Ao que parece, existe uma campanha por parte das teles para que a Anatel se sensibilize com seus altos investimentos em 3G e ofereça  preços e/ou condições mais favoráveis às operadoras no leilão de 2,5 GHz. No fim, mesmo que a agência não ceda à pressão, o esperado é que todas as grandes teles enviem propostas para o leilão.

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