FESTIVAL DE GRAMADO
22/08/2019, 01:33

Para sócios do Mono Animation, animação sofre com imprevisibilidade e profissionais saindo do país

POR MARIANA TOLEDO

Nesta quarta-feira, 21 de agosto, os sócios do Mono Animation, estúdio de animação em 2D e 3D, Bruno Bask e Rui Okasuko, comandaram um painel sobre o mercado do gênero no Brasil e no mundo durante o Gramado Film Market, braço do Festival de Cinema de Gramado voltado ao mercado.

Os dois estão à frente da produtora que já soma 13 anos de mercado e, hoje, conta com cerca de 50 profissionais na casa. Nos últimos anos, eles buscaram se diferenciar no cenário, trabalhando com séries, longas e publicidade para diferentes plataformas, usando diversas tecnologias e produzindo materiais ao vivo e em 3D – "tudo em prol do conteúdo", justificaram. "Nosso caminho foi entender qual diferencial teríamos, de que forma nos destacaríamos. Começamos a trabalhar com estereoscopia, que é técnica tridimensional, e foi aí que ganhamos mais espaço.", conta Bruno, diretor criativo. "Acompanhamos a evolução de testes em 3D até o seu boom. Hoje, a maioria das animações lançadas no cinema já nasce com esse desejo, praticamente essa obrigação.", completa.

Na trajetória do estúdio, destacam-se cases em real-time, isto é, animação produzida em tempo real. No caso da campanha "Rock in Hellmanns", de 2015, eles usaram a tecnologia facial tracking para fazer com que personagens animados, na figura de tomates, interagissem com o público, que participava das lives via Twitter, aparecendo no telão do Rock in Rio e no canal do YouTube da marca. "Os movimentos do corpo dos tomates foram pré-programados e escolhidos no momento da gravação, enquanto as expressões faciais do ator Marco Gonçalves eram capturados em tempo real por sensores markless, via software faceware. Ao todo, o processo de animação levava no máximo 15 minutos.", explicou Bask. Para o diretor, esse é um exemplo de ação que colaborou para que o estúdio conseguisse se reinventar e gerasse mais demanda por parte do mercado. "Descobrimos como usar a tecnologia a serviço da narrativa.", definiu.

Bask elencou alguns dos diversos ganhos do mercado de animação nacional nos últimos anos – entre eles, o aumento do número de produtoras especializadas no gênero, que triplicou desde 2011; o crescimento dos projetos de larga escala; a venda direta dos produtos, principal fonte de recursos para a atividade; as leis de fomento que colaboraram para o desenvolvimento do setor e a organização do mesmo – nesse sentido, ele citou o Mapeamento da Animação Brasileira, realizado pelo Anima Mundi e apresentado durante a última edição do Festival, em julho deste ano.

Em contraponto, ele comentou os problemas: "Ainda temos o desafio de se firmar como indústria. Enfrentamos, por exemplo, um grave limite de rotatividade de projetos, isto é, não sabemos o que vai acontecer com nossas obras nem no ano que vem, enquanto lá fora, eles planejam o ciclo das séries pra os próximos dez anos.".

Rui Okasuko, head de produção, também apresentou seus "prós e contras". Para ele, a computação gráfica está evoluindo e se tornando cada vez mais acessível, o que ajuda no sentido de fortalecer a animação nacional como indústria. "De uma forma boa, somos reféns da tecnologia. Todos temos que entender um pouco sobre programação e computação, e essas informações, que hoje são mais democratizadas, também fortalecem o volume de produção.", analisou. Apesar disso, ele lamentou a questão da mão de obra do setor: "Segundo o mapeamento do Anima Mundi, mais de 50% das empresas de animação brasileiras têm equipes de até seis pessoas. Os talentos brasileiros vão pra fora, é difícil segurá-los aqui. Ou seja, sofremos com a concorrência internacional não só nas telas, mas também nos meios de produção. Por isso até que na produtora pegamos jovens profissionais, gente no começo da carreira, justamente para investir nesses talentos.".

Atualmente, o Mono Animation está desenvolvendo a animação "Diário de Pilar" em coprodução com a Nat Geo Kids. A série, de 25 episódios, é escrita por Flávia Lins, de "D.P.A. – Detetives do Prédio Azul". A estreia está programada para 2020 em todas as plataformas do canal no Brasil e na América Latina.

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