Programação
22/03/2019, 22:26

Com nova estratégia de programação, Canal Brasil sobe 10 posições na TV paga

Uma atualização da grade de programação no Canal Brasil no primeiro dia deste mês de março surtiu rápido efeito na audiência do canal. Nos primeiros 10 dias do mês o Canal Brasil teve, no horário nobre, 50% de crescimento na audiência e já subiu 10 posições no ranking da TV paga.

De acordo com o diretor geral do canal, André Saddy, que assumiu a função em dezembro passado, a atualização é parte de um processo amplo de mudança, no qual se busca manter a essência do canal, mas falando de mais direta com seu assinante. Nesse primeiro movimento a ideia foi, a partir da percepção de estudos já acumulados, tentar oferecer uma grade mais clara e mais próxima do que as pessoas gostariam.

Houve uma verticalização na segunda-feira dos programas originais de linha do canal – como "Espelho", com Lázaro Ramos, e "O Som do Vinil", com Charles Gavin (que este ano mostrará apenas discos de artistas mulheres), entre outros. Os programas costumavam ocupar a faixa das 21h30 todos os dias. "Há a clara percepção de que existe uma oferta absurda de conteúdo por todos os lados. Cabe a nós ajudar nossos assinantes a encontrar o que quer assistir", explica André Saddy. O primeiro resultado é que a audiência destes programas cresceu.

Ao longo dos outros dias, o canal programou filmes na faixa horária, com uma oferta variada de gêneros, tendo como filtro apenas o foco no conteúdo brasileiro. Das super-comédias aos longas independentes, com destaque para os que vão bem nos festivais.

Com a oferta mais variada, o canal acabou valorizando estes filmes, diminuindo a importância das pornochanchadas e ampliando o target. "Os 30 conteúdos mais vistos neste período são super-comédias, mas também filmes como 'Aquarius', 'Benzinho' e 'O Grande Circo Místico'. Diminuiu o peso das pornochanchadas na audiência do canal. Até alguns documentários começaram a aparecer na lista", conta Saddy.

Com isso, houve uma mudança de perfil na audiência, tornando-se mais feminina, rejuvenescendo. "O resultado parecem mostrar que existe uma demanda por conteúdos que foram para grandes eventos como Sundance, Berlim e Cannes, mas que têm curta temporada no cinema", explica o executivo. Entre as coproduções cinematográficas do canal, há uma presença relevante de filmes com este perfil. São cerca de 30 coproduções de longas-metragens lançadas por ano. Em 2018, 10 delas participaram dos festivais de Sundance, Berlim, Veneza e Cannes.

Estratégias

Algumas mudanças foram feitas para valorizar o espaço dos filmes no horário nobre. Em primeiro lugar, foi adotada uma estratégia mais clara de cumprimento da cota de conteúdo independente local. "A cota era cumprida de forma aleatória. Agora, na maioria dos casos, das 18:00 às 21:00 colocamos filmes que cumprem cota, liberando o horário seguinte para o que é mais competitivo.

Outra iniciativa foi "colar" os filmes uns nos outros, tirando as "macros" da grade. Antes, o canal tinha dois horários de filmes: às 22:00 e outro à 00:00. "Ficava um buraco para preencher que era difícil para o espectador entender o que era. Começamos a colar mais um filme no outro. Parece que tínhamos razão", comemora Saddy. "O Canal Brasil era o único que não acelerava créditos. Às vezes os créditos duram 8 minutos. Resolvemos adotar essa iniciativa (acelerar) que já é padrão no mercado", completa

Séries

A grade deste ano segue com os mesmos programas principais. Esses programas abrem uma possibilidade conversas e repercussões nas redes sociais.

"A tendência para os próximos anos é o aumento da participação das séries na grade do canal. Elas têm um tempo de desenvolvimento e produção mais lentos. Buscamos menos quantidade e mais impacto", conta Saddy.

Pelo menos duas grandes séries chegam ainda em 2019 ao canal. A primeira deve estrear em junho: "Toda Forma de Amor", de Bruno Barreto. A outra, será sobre o Clube da Esquina, produzida pela Gullane, com a participação de Milton Nascimento. "São apostas mais parrudas, com um orçamento maior. A tendência é seguir este movimento de menor quantidade e mais potência", completa.

Resultados

O primeiro movimento na evolução da grade de programação foi para fazer o canal ocupar um espaço que não estava ocupando. "Tínhamos que resolver uma angústia de fazer o canal mais legal que existe, mas que tinha menos gente vendo. Por isso a animação com este começo", brinca.

"Sabemos que o período da amostra é muito curto, mas já trouxe um resultado. A mudança na grade não recebeu um centavo para divulgação. Foi só a divulgação orgânica", comemora Saddy.

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