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13/10/2021, 19:43

Premiado, longa "7 Prisioneiros" estreia globalmente na Netflix

Reconhecido no 78º Festival Internacional de Cinema de Veneza com dois dos prêmios paralelos oficiais – Sorriso Diverso Venezia de Melhor Filme Estrangeiro e Menção Honrosa da Fundação Fai Persona Lavoro Ambiente – e aclamado pela crítica internacional, o filme "7 Prisioneiros" estreia globalmente na Netflix em 11 de novembro. 

Com uma trama que gira em torno das críticas relações trabalhistas na economia de hoje, "7 Prisioneiros" apresenta essa dura realidade sob uma ótica de poder, solidariedade e traição. Com produção dos cineastas indicados ao Oscar Fernando Meirelles ("Cidade de Deus") e Ramin Bahrani ("O Tigre Branco"), este é o segundo longa do roteirista e diretor Alexandre Moratto ("Sócrates"), que se confirma como uma das novas vozes do cinema nacional e repete a parceria com o ator Christian Malheiros, protagonista de seu primeiro filme. 

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Assista ao trailer: 

"O maior desafio desse filme foi contar essa história de forma autêntica. Como falar com pessoas que sobreviveram a esse tipo de trabalho, como pesquisar o assunto, como entrar em contato com quem escraviza e entender essas pessoas. Por isso digo que o roteiro foi bastante desafiador e envolveu um longo processo de construção. O assunto é difícil, e era difícil também entender, encarar e transmitir as emoções envolvidas", afirmou o diretor Alexandre Moratto em coletiva de imprensa de lançamento do longa. "Para mim, é importante que o trabalho retrate algo pessoal e autêntico. Eu trabalhei durante vários anos em comunidades de baixa renda e as pessoas com quem convivi viraram meus amigos. Então era importante retratar as histórias do filme, das perspectivas dessas pessoas, de forma verdadeira. Conversei muito com a Tainá (Mantesso, com quem Moratto dividiu o roteiro) para que conseguíssemos retratar tudo isso de forma realista. Queríamos ainda humanizar os personagens e contar essa história a partir do ponto de vista dos trabalhadores", completou. 

A questão da humanidade dos personagens também foi essencial para Rodrigo Santoro, que interpreta Luca, um homem que, à primeira vista, é o grande vilão da história – mas que, aos poucos, se revela mais uma vítima desse sistema. "Humanizar esse vilão sem tentar redimir o personagem – porque nada justifica as coisas que ele faz – era minha principal preocupação. O caminho não era redimi-lo, e sim acrescentar camadas", disse Santoro. "Ele é um produto do abismo social, desse cenário de exclusão. Mas, ao mesmo tempo, tem muita consciência das escolhas terríveis que faz. Não pede desculpas – tem seu próprio discurso interno. É uma escolha consciente de estar nesse lugar – mas o que não faz com que ele deixe de ser uma peça dessa grande engrenagem. O vilão a gente odeia, ele é mau. Mas esse personagem é um pouco mais complexo. Não queria dar essa única nota vilanesca, apresentá-lo como o algoz", analisa. 

Malheiros concorda: "Eu e Rodrigo conversávamos muito, numa busca incessante pela humanidade desses personagens, cena por cena. O meu personagem tem um forte senso de sobrevivência, ele sabe que precisa sobreviver dentro daquela situação que lhe é colocada. A partir daí, ele vai assimilando e entendendo algumas coisas que ele precisa fazer. É com base no lugar de onde ele veio, da raiz do problema – que é a questão social – que entendemos porque ele toma essas decisões e pende para determinado lado. Ele entendeu como funciona o jogo – mas acho que, uma hora, ainda espera mudar essa história". 

Temática 

Fernando Meirelles falou sobre a questão central do filme e pontuou que, para ele, essa ideia de escravizar o outro é um arquétipo, que faz parte da nossa psique. "Se você precisa de algo e tem um alguém mais frágil, é natural você escravizá-lo. A gente passou a História inteira fazendo isso. E no mundo inteiro, claro, não só no Brasil. É um traço do ser humano. A civilização, a moral e a religião foram ensinando a gente que não podia, que era errado. Oficialmente a escravidão não existe mais, mas está dentro da gente", observou. 

O produtor acredita que, por isso, o filme vá gerar bastante identificação junto ao público. "A gente não para pra pensar a respeito mas estamos diariamente apoiando o trabalho análogo à escravidão. No que a gente come, consome, compra. Patrocinamos esse trabalho, somos co-responsáveis. O filme se passa em São Paulo mas tem sido muito bem compreendido em diversos outros países. As pessoas entendem. Não é um problema brasileiro. Nossa abordagem é só uma forma de falar sobre isso", declarou. 

Para Santoro, o tema é real, indigesto e uma consequência de um outro problema, que é a desigualdade social. "Acredito que o filme possa levantar o debate e o interesse das pessoas na realidade do trabalho análogo à escravidão e o tráfico de pessoas. Se o espectador sair sensibilizado pela história, isso pode gerar interesse. Acho impossível não haver empatia. Estamos falando de uma violação dos direitos humanos e de uma violência muito grande", reforçou o ator. 

Lançamento 

Moratto diz que a expectativa para a estreia é grande principalmente por se tratar de um lançamento global, via Netflix, e por conta da equipe de talentos que está por trás do projeto. "Desejo que o filme atinja um grande público no Brasil para abrir essa discussão. Também espero uma repercussão internacional – que já estamos tendo, através dos festivais. Quero que as pessoas se identifiquem com a história aqui e em outros países", concluiu. 

Já Malheiros garante que, para ele, qualquer reação é válida. "Não espero aplausos, não trabalho muito com expectativas. Mas se a pessoa tiver algum tipo de reação, de amar ou odiar, significa que ela foi tocada. Eu só espero isso, que reajam. E o cinema no Brasil, pra mim, cumpre uma função social – expõe feridas e traz reflexões. A arte observa a vida e, a partir da arte, a gente muda a realidade. Acredito muito nisso, no potencial da arte de abrir caminhos. Até porque não estamos falando de realidades fictícias e, sim, de coisas que acontecem de verdade, no mundo inteiro", finalizou o protagonista. 

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