Política audiovisual
09/11/2018, 22:33

Ancine lança campanha para mostrar dados tangíveis do audiovisual

A Ancine lança na próxima segunda, 12, uma campanha pela valorização do audiovisual brasileiro. O objetivo, explicou a este noticiário o presidente da agência reguladora, Christian de Castro,  é desmistificar a visão do audiovisual e, sobretudo, mostrar a dimensão econômica do setor. "Mostramos (na campanha) discursos pré-concebidos sobre conteúdo brasileiro e trazemos contrapontos, mostrando dados concretos do setor: geração de empregos, renda, alcance internacional", diz o presidente. "A campanha trabalha a imagem da cadeia de valor, explica seu impacto na economia", completa.

Segundo o presidente, em um momento de mudança no cenário política, é importante mostrar a relevância do setor para além do intangível e do simbólico.

A Ancine, até agora, não foi procurada pela equipe de transição. Segundo Castro, os dados do setor, os projetos e programas, atividades, investimentos foram inseridos pela Ancine no e-Governa, sistema que auxilia a equipe de transição. "Devem nos procurar nas próximas semanas", diz.

Resultados

Em 2017 o Brasil bateu o recorde de títulos brasileiros lançados nas salas de cinema – foram 160 longas-metragens, que venderam mais de 17 milhões de ingressos. Na televisão, no mesmo ano, as obras brasileiras ocuparam 17,7% das horas de programação dos canais de TV paga. A animação nacional bateu recorde de lançamentos e contribuiu para o aumento da visibilidade do Brasil internacionalmente.

Segundo Castro, as novas regras dos editais do Fundo Setorial do Audiovisual permitem fazer um balanço dos investimentos com mais agilidade. "Agora temos a capacidade de ter indicadores em prazo mais curto, ainda no mesmo ano (da realização dos editais). Podemos ter um prognóstico. Esse tipo de indicador nos deixa otimistas. Teremos, em breve, dados para para levar à equipe de transição e ao governo", completa.

Apesar do recorde no volume de filmes lançadas, o share do filme brasileiro ainda é pequeno e a performance média ainda é muito baixa. Segundo Castro, isso em parte se resolve com a safra de filmes. "Esperamos ao fechar o ano com bons filmes. Acho que chegaremos a números melhor do que no ano passado", diz. No entanto, para ele é necessário elevar o valor médio das produções, permitindo competitividade em cinema de gêneros variados. "Precisamos ir além da comédia, mas filmes de ação, terror, ficção científica, por exemplo, demandam um investimento maior", explica.

VOD vs. TV

Sobre a tributação do VOD, Castro acredita que, havendo uma proposta convergente entre os membros do Conselho Superior de Cinema, o projeto tem chance de tramitar ainda este ano. "Depende de uma decisão conjunta dos dois governos (o atual e o futuro)".

"Hoje, a nossa posição no CSC é a regulação mínima que traga a segurança jurídica para as plataformas e as tragam 'para dentro' da Ancine". Para o comando da Ancine, a partir dos dados colhidos, haverá subsídios para agir na regulação, se necessário. "As plataformas já demandam conteúdo nacional. Precisamos entender como vai funcionar. Não é com o modelo de negócios de um player que vamos poder regular", diz.

Em entrevista publicada na quinta-feira, 8, o CEO da Claro Brasil, José Félix, cobrou igualdade de condições regulatórias com os serviços OTT, sobretudo das programadoras de TV por assinatura. Segundo ele, a oferta de conteúdo linear configura serviço de acesso condicionado, o SeAC, e, portanto, estes serviços deveriam cumprir as mesmas regras das operadoras.

Segundo o presidente da Ancine, a agência já foi provocada sobre o tema por agentes do setor e começou recentemente a se debruçar sobre o assunto. Na visão dele, caso o entendimento seja o de que não há isonomia regulatória, o melhor caminho é pela flexibilização, e não pela extensão das regras e cotas a outras plataformas. "A cota (do SeAC), ao impor exigência, gerou demanda, mas o conteúdo já se consolidou no mercado. A cota é sobre-cumprida. Demonstra a qualidade e a capacidade de conversar com o público", diz. Para ele, a ponte entre a produção independente e os canais está estabelecida "Acho que rompemos a inércia. Essa relação entre programadoras e produtores é saudável. O desafio agora é trazer o investimento privado", diz.

FSA

Para Christian de Castro, o resultado do Edital de Fluxo Contínuo para Cinema é positivo. "Já soltamos resultado da Modalidade A e B. Temos filmes divulgados com diversidade de produtoras e distribuidoras. Produtoras de praticamente todos os níveis. Se dizia que as produtoras de menor nível não teriam chance. Semana que vem temos expectativa de anunciar os últimos filmes da C e os da D. Poderemos ter um balanço completo", diz. A expectativa é que pelo menos 80% dos recursos do edital sejam distribuídos no segundo bimestre do ano que vem.

Questionado sobre a dificuldade que muitas produtoras tiveram no sistema de credenciamento no edital, o presidente da Ancine diz que são necessários ajustes, mas minimiza o problema. "Antes, a reclamação era a demora nos processos. Avançamos nisso, o que demandou maior agilidade dos proponentes também. Numa modalidade onde a ordem de chegada é um critério de desempate, que requer planejamento, nem só as mais preparadas conseguiram entrar. A diferença é que a ordem de chegada agora é conhecida. Há coisas a serem melhoradas, mas o critério é positivo", diz.

Campanha

Criada pela Ancine e a DM9DDB, a campanha "Audiovisual brasileiro, mais do que você imagina" começa a ser veiculada nesta segunda, 5 de novembro, em ambiente 100% digital.

A campanha traz cinco filmes destinados às categorias da produção: audiovisual em geral; cinema; séries; games; e animação. Nas peças, que serão veiculadas durante 30 dias nas redes sociais da agência e também nos portais verticais de cinemas, atores encarnam os clichês mais difundidos sobre cada um dos temas. Enquanto esse discurso é apresentado, telas contrapõem esses argumentos com manchetes dos principais jornais do Brasil e do mundo e cenas que demonstram o imenso potencial do audiovisual brasileiro.

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