CINEMA
17/10/2019, 00:38

Caso Von Richthofen é contado em dois filmes com estreia simultânea nos cinemas

A história do caso Von Richthofen, crime que chocou o país há 17 anos, será contada nos cinemas em dois filmes – "A Menina que Matou os Pais" e "O Menino que Matou Meus Pais" – a serem exibidos em sessões alternadas, a partir de uma mesma data de estreia, prevista para 2020. Formato inédito no cinema mundial, a "produção dupla" teve suas filmagens encerradas neste mês, após seis semanas de gravações em São Paulo.

Em entrevista exclusiva para TELA VIVA, o produtor executivo Marcelo Braga, da Santa Rita Filmes, falou sobre a opção de desdobrar essa história em duas versões: "Para produzir um filme sobre o caso Von Richthofen, nós tivemos acesso a todo o processo, com todos os autos do julgamento, e estudamos esse material durante meses. Nos deparamos com um material muito rico e cheio de contradições, e foi daí que veio a ideia de criar dois roteiros diferentes – assinados por Ilana Casoy e Raphael Montes -, que contassem essa história de pontos de vista distintos. Estamos apostando muito nessa possibilidade, que até então é algo inédito no mercado.".

Conforme dito por Braga, ele e o diretor do longa, Maurício Eça, convidaram a criminóloga, autora de livros e consultora de obras audiovisuais que abordam esse universo Ilana Casoy para criar ambos os roteiros em parceria com o autor de policiais Raphael Montes. Ao lado dos roteiristas, os advogados foram parceiros constantes da produção. "Nós não tivemos absolutamente nenhum contato com Suzane ou com qualquer outro envolvido no crime. Nossa obra é uma ficção baseada em fatos biográficos, por isso decidimos trabalhar apenas com base nos documentos aos quais tivemos acesso. Além disso, ninguém que fez parte dessa história na vida real recebeu ou receberá dinheiro a partir do filme, nem de produção ou lançamento.", ressalta o produtor.

Quando a notícia de que um filme sobre Suzane von Richthofen estava sendo feito veio à tona, uma série de polêmicas tomaram conta das redes sociais. "Como produtor, é claro que eu pensei muito bem antes de abraçar esse projeto. Mas conclui que trata-se do crime mais midiático da história do país. Até hoje, 17 anos depois, ele ainda é comentado. Todo mundo fala na Suzane quando ela faz as tais saidinhas da prisão, então é óbvio que existe aí uma história a ser contada. É um caso muito polêmico e que, infelizmente, acontece muito no Brasil. Eu entendo que os filmes tenham esse cunho social, no sentido de analisar o porquê dessas coisas acontecerem. Tivemos o cuidado de seguir juridicamente tudo o que está nos autos, especialmente nos depoimentos. Óbvio que temos certa licença poética, mas prezamos por essa responsabilidade. Todo mundo da equipe tratou essa produção com muito respeito.", afirma Braga. "À medida em que as pessoas vão compreendendo isso, vemos o apoio aos nossos filmes crescendo.", completa. "Sei da responsabilidade que é contar essa história, filmes biográficos em geral trazem essa responsabilidade. Estamos falando, no fim das contas, de seres humanos, independente de serem criminosos, de terem morrido. Se nos colocamos nesse lugar de levar essa história até as pessoas, precisamos ser fiel a ela.", conclui.

Inovação

Apesar de séries e filmes baseados em crimes reais serem muito comuns lá fora, nos Estados Unidos, por exemplo, o Brasil ainda não tem tanto essa tradição – o que talvez esteja começando a mudar, a exemplo das produções "Assédio", original Globoplay que fala do caso do médico Roger Abdelmassih, e de "Bandidos na TV", produção da Netflix sobre o apresentador brasileiro Wallace Souza, que literalmente matava por audiência. "Eu acho que esse tipo de produção ainda não é comum no Brasil por conta de uma somatória de receios das produtoras, que por não verem outros projetos nesse sentido serem feitos também acabam não arriscando no tema, e do público, que apesar de estar acostumado a ver isso nas produções de fora, ainda não demostra tanto esse interesse aqui. Mas bilheterias de filmes de crimes são sempre muito grandes, o que significa que o espectador brasileiro tem essa curiosidade. Pode ser o início de um novo gênero a ser explorado no país. Para nós, da Santa Rita, o desafio de sermos pioneiros é maior. Espero que nossos filmes sirvam de força para que outros produtores atuam nesse gênero. Histórias sobre coisas que acontecem na nossa sociedade sempre atraem o público", garante Braga.

Ambos os filmes – "A Menina que Matou os Pais" e "O Menino que Matou Meus Pais" – contaram com investimentos privados. "Nós fomos contemplados pelo FSA no último ano, mas quando anunciamos o filme, que na época ainda era apenas um, enxergamos uma reação muito polarizada – até o presidente se pronunciou, via Twitter, dizendo que era uma inversão de valores.", conta o produtor. "Resolvemos então abrir mão desse dinheiro – que diga-se de passagem é um fundo muito necessário e extremamente fundamental para a produção de um cinema brasileiro de qualidade – e buscar fontes privadas. Até porque provavelmente teríamos problemas para receber esse valor da Ancine.", acrescenta.

Os longas são produzidos pela Santa Rita Filmes em coprodução com a Galeria Distribuidora, que também atua como coprodutora, e com o Grupo Telefilm. O elenco é encabeçado por Carla Diaz e Leonardo Bittencourt, nos papéis de Suzane von Richthofen e Daniel Cravinhos, respectivamente.

Comentários

1 Comentário

  1. Avatar Rosana Claudia Alves Almeida disse:

    Não tenho dúvidas que será um sucesso nas bilheterias. Acredito também,que os jovens com menos de 25 anos, são os principais interessados em conhecer a estória desse crime chocante causados por dois adolescentes de classe média alta que mata os pais. Qual seria a causa real que o fizeram cometer esse crime? Bora aguardar!

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