ESTUDO
31/05/2021, 21:27

Dados apontam pessimismo de produtoras baianas com o mercado audiovisual brasileiro

Os resultados levantados pelo Observatório de Economia Criativa (OBEC-BA), numa pesquisa dirigida às produtoras baianas, apontam um cenário de instabilidade e insegurança para os profissionais que trabalham com audiovisual na Bahia. Num contexto de grandes desafios na pandemia da Covid-19, e ausência de políticas públicas nacionais pensadas para o setor nesta gestão do Governo Federal, 50% das produtoras baianas que participaram da pesquisa "Audiovisual Baiano em Rede" se declararam pessimistas ou muito pessimistas. Mesmo consolidado como o setor fundamental para a difusão de novos modos de criar conteúdos digitais nesta pandemia, o audiovisual teme um novo desmonte, no contexto federal, assim como aconteceu no Governo Collor (1990-1992).

Outros dados do e-book "Audiovisual baiano em rede: organização produtiva e análise de redes sociais", disponível para download gratuito no site, mostram que a cena da Bahia passou por crescimento contínuo no número de estabelecimentos voltados à produção audiovisual. Entre 2010 e 2019, um acréscimo de 71,8%. Já no quesito distribuição geográfica, elas estão altamente concentradas na região metropolitana: 65,3% em Salvador e quase 10% em Lauro de Freitas. Em seguida, estão as cidades de Vitória da Conquista (4%) e Feira de Santana (2%).

Além disso, a pesquisa do OBEC-BA, também conduzida com base nos dados na Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), do Ministério da Economia, apresenta que os homens estão em maior número e vantagem nas equipes dos sets de filmagem na Bahia: em 2019, eles dominavam 63% dos vínculos empregatícios no audiovisual baiano.

Redes da Bahia 

O trabalho desenvolvido pela equipe de pesquisa montou um cenário de redes de trabalho no mercado de audiovisual da Bahia. A Rede de Informação, por exemplo, é um conjunto de pessoas e organizações que compartilham informações sobre o que está acontecendo no segmento. Entre os entrevistados, há um equilíbrio entre os atores desta rede que são de Salvador e aqueles que têm origem em outras cidades do Brasil, fora do Estado: cada um possui cerca de 43%. Já os do interior da Bahia são apenas 8% e do exterior só 1,8%.

No caso da Rede de Confiança, ela agrupa pessoas e organizações tidas como parceiros de confiança, aqueles que os entrevistados costumam priorizar no momento de montar equipes de trabalho. Nesta rede, foram identificados 267 agentes que estão ligados por 1.095 laços. Os resultados aparecem numa organização de dados por função, entre técnicos especializados, sócios e equipes das empresas, além de associações, sindicatos, organizações públicas e privadas numa mesma categoria. Familiares e amigos também aparecem nos dados.

Por fim, a Rede de Criação é um conjunto em que os sujeitos (pessoas e organizações) compartilham ideias criativas para a concepção de projetos no audiovisual. Ela evidencia que os relacionamentos prioritários de 53 entrevistados, com 212 atores sociais, articulam-se através de 767 laços. Numa rede de confiança organizada por origem, a maioria dos citados é de Salvador (71%). 17,43% são pessoas ou organizações de outros estados brasileiros e 9,6% do interior da Bahia.

Estes e os demais dados do livro "Audiovisual baiano em rede" podem ajudar na construção de indicadores sobre o mercado, como potencialidades e limitações do campo, informações para entendimento da organização do segmento audiovisual baiano e para a formulação de políticas públicas mais eficazes.  A equipe de pesquisa foi formada por Bruna Gasbarre, Carmen Lima, Daniele Canedo, Leonardo Costa, Luiz Gustavo Campos, Nayanna Mattos, Sofia Federico e Tatti Carvalho.

O projeto tem apoio financeiro do Estado da Bahia através da Secretaria de Cultura e da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Programa Aldir Blanc Bahia) via Lei Aldir Blanc, direcionada pela Secretaria Especial da Cultura do Ministério do Turismo, Governo Federal.

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